<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-37809040</id><updated>2012-02-16T07:09:21.229-02:00</updated><title type='text'>Leite de Pato: anti-ácido em pílulas para o mau humor. O meu, claro.</title><subtitle type='html'>Este espaço destina-se a servir de janela para as paranóias deste escriba eventual e improvável. Sugestões, críticas e comentários serão todos aceitos, ainda que não muito bem.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>E</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>31</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37809040.post-3139381606519758016</id><published>2010-08-05T18:23:00.002-03:00</published><updated>2010-08-05T18:39:46.526-03:00</updated><title type='text'>Aprendizados</title><content type='html'>Dia desses, chegando com minha menininha à creche, a coloquei no colo para que ela tocasse a campainha.&lt;br /&gt;Procuro, sempre que posso e/ou lembro, não fazer por ela as pequenas coisas que ela pode fazer sozinha.&lt;br /&gt;Ela me disse que eu mesmo tocasse a campainha. Respondi-lhe que não sabia como. Só ela sabia tocar a campainha. Ela parecia decidida a resolver aquele problema de uma vez por todas. Se ofereceu a me ensinar a tocar a tal da campainha. Pegou meu dedo com as duas mãos e com ele pressionou o botão da campainha.&lt;br /&gt;- Viu? Você também sabe tocar! - disse-me, triunfante. E ofereceu a palma da mão para um "toca aqui" festivo. Faço isso sempre com ela. Quando consegue fazer alguma coisa nova ou especial, ofereço a mão espalmada a ela para um "toca aqui" em comemoração ao seu novo feito.&lt;br /&gt;Aprendi que ensinei a minha filha a ensinar. Ou, pelo menos, que chateio ela o bastante para que ela procure mudar o que existe e não a satisfaz. Nesse caso, eu e minha ignorância das campainhas desse mundo!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37809040-3139381606519758016?l=leite-de-pato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/feeds/3139381606519758016/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37809040&amp;postID=3139381606519758016&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/3139381606519758016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/3139381606519758016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/2010/08/aprendizados.html' title='Aprendizados'/><author><name>E</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37809040.post-3661820735051657548</id><published>2008-12-11T10:07:00.005-02:00</published><updated>2008-12-11T16:59:42.532-02:00</updated><title type='text'>Meu, sifu!</title><content type='html'>Também eu, como a imprensa de direita (redundância óbvia que só se justifica pelo estilo inculto daquele que a utiliza), fiquei chocado e furioso com a fala do presidente transcrita no título.&lt;br /&gt;Não a achei deselegante nem chula, ao contrário do que foi mais enfatizado na cobertura do caso. Mas isso pode ser visto como normal. Afinal, ao menos por hipótese, a imprensa não assume a defesa dos grossos. E, como grosso assumido, acho a contração "sifu" até meio cândida. Minha opção teria sido pela expressão na sua versão completa que além de mais forte tem a vantagem de já ser devidamente reconhecida como parte do léxico. E, além do mais, sou um conservador. Limito a doses homeopáticas meu uso de neologismos.&lt;br /&gt;A responsabilidade pelo entendimento do discurso é de quem o profere e não de quem o recebe. Do bom orador pode-se conhecer a platéia sem vê-la apenas atentando para o que e, principalmente, como comunica. O presidente, com o uso da expressão popular, deixa claro para quem fala, com quem se comunica. Há quem qualifique o contato não mediado entre comandante e comandados como uma característica do populismo. Não vejo mal nenhum nesse ponto em si mesmo. O que seria um problema é se ao tentar o contato direto com seus comandados o comandante estivesse procurando escamotear a agenda que verdadeiramente trata de implementar. Não acho que esse seja o caso do nosso presidente. Mas esse é tema para outros fóruns.&lt;br /&gt;O que me aviltou foi o vocativo. Ao usar gíria tão caricatamente regional, o mais alto mandatário, que é muito bom de oratória, deixa claro para quem fala. E, se estou correto em não considerá-lo populista, deixa também claro para quem governa. Isso sim me causou revolta. Da raiva passei rapidamente a frustração e de lá a comiseração. É isso aí, companheiros. Quem mora do outro lado da Dutra (da Fernão Dias, da Régis Bittencourt, da Anhangüera, etc) sifu...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37809040-3661820735051657548?l=leite-de-pato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/feeds/3661820735051657548/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37809040&amp;postID=3661820735051657548&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/3661820735051657548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/3661820735051657548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/2008/12/meu-sifu.html' title='Meu, sifu!'/><author><name>E</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37809040.post-263076529539612670</id><published>2008-11-28T18:58:00.003-02:00</published><updated>2008-12-11T17:00:16.130-02:00</updated><title type='text'>O mundo é cor de rosa (mas tem um creminho que acaba com a irritação)</title><content type='html'>Trabalho cercado de mulheres. Até algum tempo atrás ainda havia um colega que ajudava a manter os níveis de testosterona do escritório em patamares considerados normais. Mas como o mundo é mesmo muito estranho e considerando sua obsessão ao erro, à imperfeição e ao descaminho, a idade de ouro chegou para meu colega. Aposentou-se. Desde então enfrento sozinho entre elas a faina diária. Venho cumprindo minhas obrigações a contento, obrigado. O cotidiano, sem grandes sobressaltos, dos procedimentos sob a nossa responsabilidade testemunha a meu favor.&lt;br /&gt;Antes que o alarme “misógino” ressoe entre os leitores mais sensíveis, ou “bichona” entre os menos familiarizados às normas cultas do vernáculo, faço questão de dizer que em toda minha vida profissional durante apenas alguns meses, de triste lembrança, não tive pelo menos uma mulher nos níveis hierárquicos acima do meu. Ou seja, minhas melhores e mais ricas experiências profissionais foram vividas sob o comando gentil e decidido que as mulheres sabem exercer muito bem.&lt;br /&gt;Feito o elogio, abaixo as calçolinhas. É fato bastante conhecido, o que dispensa apresentações mais elaboradas, que ambientes onde os níveis de progesterona excedem não primam pelo método, pela ordem e, principalmente, pela criteriosa observação de prazos e limites. Não me consta que grandes descobertas científicas, brilhantes peças de literatura ou de oratória ou mesmo os cálculos eficientes de estruturação de qualquer obra de arte do engenho humano tenham sido concebidos e/ou desenvolvidos, enquanto se lia o exemplar de março de 2003 da Caras e falava-se mal da vida alheia, num salão de beleza.&lt;br /&gt;É claro que ambientes predominantemente femininos tendem a ser mais arrumados, limpos e aprazíveis do que os ambientes hiper-masculinos. Compare-se, por exemplo, uma academia de jiu-jitsu e a sala da casa da avó. Mas é muito mais provável que a aula de jiu-jitsu vai começar na hora do que você chegar a tempo de pegar a sessão das 7, tendo tomado chá da tarde com a vovó.&lt;br /&gt;Fui do escritório à academia e de lá à casa da vovó para só então voltar ao escritório e descortinar o que me motivou a escrever estas linhas. É que recentemente se incorporou à equipe em que trabalho uma jovem senhora, dois filhos adolescentes, que fez transbordar os níveis de progesterona locais. Não pára de falar um instante, com os outros, ao telefone, sozinha. Não pára. Simplesmente não pára. Se um incauto cair na besteira de deixá-la estabelecer contato visual é certo que ela vai enredá-lo numa conversa, mais um monólogo, sobre qualquer coisa desde as desventuras atuais do clima aos eventos musicais do fim-de-semana passando pela marca preferida de ração de gato e a pensão paga pelo ex aos seus filhos. Na verdade, como a matraca fala até sozinha, mesmo que não se atreva a cruzar os olhos com ela, é arriscado se muito próximo estiver ser arrastado para uma das suas “conversas”. É tanto e tão grave o negócio que eu, logo eu, ganhei fama de calado, obviamente por comparação.&lt;br /&gt;Joguei a toalha. Nessas circunstâncias não me é mais possível manter o nível de testosterona sozinho. Para neutralizar a matraca é preciso uma intervenção das forças de operações especiais. Meia dúzia de soldados bem armados talvez tragam de volta a paz e a ordem que esse escritório perdeu. Nesse meio tempo, enquanto a ONU não vem, nada sai dessa sala no prazo. A menos que deixemos os processos habituais de lado e passemos a atividades mais condizentes com os recursos abundantes no momento. Já avisei a chefe. A única atribuição que aceito nas nossas novas funções é de fiscal de qualidade do setor de depilação. E que não me venham com buço. Eu só cuido das virilhas cavadas e das laterais anais. Se a freguesa quiser, a sopradinha sai de graça.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37809040-263076529539612670?l=leite-de-pato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/feeds/263076529539612670/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37809040&amp;postID=263076529539612670&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/263076529539612670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/263076529539612670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/2008/11/o-mundo-cor-de-rosa-mas-tem-um-creminho.html' title='O mundo é cor de rosa (mas tem um creminho que acaba com a irritação)'/><author><name>E</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37809040.post-9091499085107981203</id><published>2008-10-27T11:58:00.002-02:00</published><updated>2008-10-27T13:34:58.190-02:00</updated><title type='text'>Bêbados</title><content type='html'>Somos atraídos por situações limites. Acidentes, desastres, paixões suicidas, esse tipo de coisa. A disrupção da ordem, sobretudo a mais flagrante e, por isso mesmo mais traumática, nos chama a atenção. Até aí, nada demais. Afinal, o que rompe o padrão é o que atrai o olhar.&lt;br /&gt;Os limites da compreensão são particularmente atraentes. Num mundo que nos cerca e oprime com os excessos de racionalização e, conseqüentemente, nos choca e diverte com rompantes periódicos de irracionalidade, busca-se, em alguns casos com dedicação quase exclusiva, alcançar estados alterados de consciência que supostamente revelariam verdades profundas sobre tudo. Desde a cura da unha encravada até os caminhos para a paz mundial.&lt;br /&gt;Recentemente dois eventos puseram-me a pensar.&lt;br /&gt;Ontem, ao volante em regresso das atividades do dia, eis que atravessa a rua alguns poucos metros a minha frente, uma jovem senhora completamente embebedada. Sua aparência desgrenhada e o local onde se encontrava, à porta de um boteco bem pé-sujo, dava pista sobre a freqüência em que se conduzia àquele estado. Era uma profissional.&lt;br /&gt;Embora conduzisse embalado, que é a única forma do possante concordar em subir ladeira, a própria subida facilitou a freada. Sem trauma, parei ao pé da ébria senhora. Apesar do seu estado, onde quer que estivesse não estava propriamente ali, a senhora parou no meio da rua, ergueu altiva as duas mãos e, com o olhar perdido dos bêbados, ainda que o susto lhe transparecesse, comandou a freada. Uma vez parado, acompanhei o término triunfante da sua travessia: com uma dignidade comovente, ainda que traída pelo passo oscilante, moveu-se lentamente até a calçada, como que saboreando o momento. Manteve o passo lento e gingado depois de pôr-se a salvo do trânsito. Ainda saboreava sua vitória ou o chão continuava instável sobre seus pés.&lt;br /&gt;Hoje pela manhã, noutra parte da cidade, vi cena semelhante. Um senhor, bem mais velho que a senhora de ontem, já se encontrava cambaleante antes das dez da manhã. Sem dúvida, profissional. Trôpego, vencia a distância entre um boteco e outro, quando aproveitou o embalo do seu mais recente tropeço e engatou um sambinha. Completo: a batucada com as mãos, o sorriso no rosto e o samba nos pés. Tudo isso coroado por uma cantoria enrolada na sua língua de bêbado. Estava feliz. E alegrou o meu dia.&lt;br /&gt;Percebi a ambos porque seus estados os destacavam. Como seria se esse não fosse o caso? Se o normal e o alterado trocassem de lugar?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37809040-9091499085107981203?l=leite-de-pato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/feeds/9091499085107981203/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37809040&amp;postID=9091499085107981203&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/9091499085107981203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/9091499085107981203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/2008/10/bbados.html' title='Bêbados'/><author><name>E</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37809040.post-4505661435019709696</id><published>2008-10-13T17:06:00.002-03:00</published><updated>2008-10-13T17:50:28.826-03:00</updated><title type='text'>Como lidar? Lição nº 3: o medo</title><content type='html'>Ao escrever essas lições tive uma epifania.&lt;br /&gt;Estava pensando sobre os porquês de nós os grosseiros ensejarmos tanto temor nos corações dos cidadãos de bem. Afinal, somos ranzinzas, desagradáveis e, por vezes, causadores de constrangimento para nós e, principalmente, para nossas companhias. Mas somos também inteligentes, divertidos, irônicos, capazes de auto-crítica, conversamos sobre qualquer assunto e somos até razoavelmente bem-humorados. Afora um ou outro constrangimento eventual e a neurastenia de hábito, o que haveria de tão cáustico em nós que nos transformaria em indivíduos marcados, personas non-gratas, indesejáveis, verdadeiros párias?&lt;br /&gt;Subitamente ocorreu-me num lampejo uma gradessíssima verdade: os cidadãos de bem modernos morrem de medo de nós, os difíceis de lidar, como os antepassados remotos deles morriam de medo dos antigos oráculos. É um tabu. Não se pode olhar nos olhos de quem conhece e revela a verdade. Eis o problema. Imersos em idiossincrasias, como todo mundo é bom que se diga, os cidadãos de bem têm uma relação problemática e cheia de conflito com todos aqueles que são capazes de colocar em cheque, de expor-lhes os pés de barro, as vilezas, os pequenos detalhes mais comezinhos de suas existências.&lt;br /&gt;É claro que ninguém gosta de ser lembrado dos seus problemas. E também é necessário que fique entendido que o umbigo é a grande massa que controla nosso sistema de gravitação moral nos tempos atuais. E isso vale para bons e maus cidadãos. O que nos diferencia dos cidadãos de bem não é que vemos melhor nossos pés de barro. Somos todos igualmente míopes nesse pormenor. A diferença é que nós, os grossos, falamos desse assunto com menos pudor. Pudor, como é sabido, não é o nosso ponto forte.&lt;br /&gt;Surge daí o conflito, o medo e o preconceito. Nós, os grossos, somos para os cidadãos normais um grupo que os enche de dúvidas. Nunca se sabe quando um grosso vai dar com a língua nos dentes e lembrar um cidadão de bem de alguma cagada que ele porventura tenha feito. E como todos as fazemos aos borbotões, todo mundo tem um rabo preso, ou solto, por aí para ser cantado em prosa e verso.&lt;br /&gt;Eis aí porque, idealmente, os grossos devem ser evitados no convívio social. Porque suas opiniões usualmente expostas em espasmos verborrágicos são temidas e, por isso mesmo, respeitadas entre os cidadãos de bem.&lt;br /&gt;Somos como que super-egos coletivos com tendências tirânicas, cruéis e escatológicas. Alertamos os desavisados e esquecidos daquilo que ainda há em todos nós de essencialmente humano e que os bons costumes tentam negar. Todos nós fazemos merda. Também fazemos arte, poesia e amor mas fazemos mais merda do que qualquer outra coisa.&lt;br /&gt;Nós, os grossos, sabemos e lembramos disso. Os cidadãos de bem também sabem mas gostariam de esquecer. Por isso somos um grupo marcado. Temem nossa opinião, nosso juízo. Não deviam. Afinal, o mau juízo pode ser nosso mas o excesso de zelo, esse é deles. Zelo também não é o nosso forte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37809040-4505661435019709696?l=leite-de-pato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/feeds/4505661435019709696/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37809040&amp;postID=4505661435019709696&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/4505661435019709696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/4505661435019709696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/2008/10/como-lidar-lio-n-3-o-medo.html' title='Como lidar? Lição nº 3: o medo'/><author><name>E</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37809040.post-4711751219207578983</id><published>2008-10-10T11:10:00.004-03:00</published><updated>2008-11-28T19:09:43.191-02:00</updated><title type='text'>Como lidar? Lição nº 2: discorde sob sua própria conta e risco</title><content type='html'>Aprendemos na lição passada que os sem-educação têm opiniões como todo mundo. O que os diferencia dos demais são as formas bizarras, extremas e, na maioria das vezes, escatológicas que escolhem para expô-las e defendê-las. Aprendemos também que os sem-educação têm cu também como todo mundo. A diferença aí é que a maioria educada finge que não tem enquanto os sem-educação não se importam de reconhecer e debater sua existência. Além disso, prezando e reconhecendo seus respectivos fiofós, procuram defender veementemente sua integridade, na maioria das vezes, de forma considerada inadeqüada pela maioria educada.&lt;br /&gt;Debater e confrontar opiniões não é mal visto entre os grossos e difíceis de lidar como pode parecer a primeira vista. A população educada tem horror a contrariar os sem-educação. O que sempre representa um problema, quase nunca para os sem-educação, é claro. A dificuldade reside no discurso relativista da maioria educada. Ao contrário do que propõe o relativismo metodológico, não é porque todo mundo tem opinião (e cu!) que todas as opiniões são iguais. Raciocínio equivalente aplica-se aos fiofós, por suposto. Há cú e opinião de todo o tipo e para todos os gostos.&lt;br /&gt;O que diferencia os grossos e difíceis de lidar nesse particular é que, em sua maioria, são sujeitos mais preocupados e, definitivamente menos complacentes, que a maioria educada. A maioria educada contempla, aceita e/ou conforma-se placidamente com o conjunto de suas idéias e, conseqüentemente, com o destino, visto como em grande medida inevitável, dos seus cus. Por sua vez, os sem-educação, grossos e difíceis de lidar pensam, refletem, revisam e, por vezes, rebelam-se contra as opiniões mais aceitas e, principalmente, contra os que pretendem bulir com a integridade virginal dos seus fiofós. O ditado "quem tem cu, tem medo." foi criado por um grosso e aplica-se, principalmente, a essa minoria mal vista da população. Posto que a maioria educada pode até temer mas, na maioria da vezes, resigna-se com a perspectiva do empalamento.&lt;br /&gt;Discordar de um sem-educação é, portanto, até desejável na nossa perspectiva grosseira e sem modos. Opiniões diferentes são oportunidades extras para revisar, analisar, conferir e testar nossas próprias opiniões. É certo que quase sempre tal processo resulta na reafirmação das nossas opiniões iniciais. Mas também é comum que, em vista de novas informações e perspectivas, reconsideremos nossos pontos de vista. Procurando sempre manter a coerência, é claro, já que, como foi visto na lição passada, opinião a gente troca. O cu, não.&lt;br /&gt;Aproveito para advertir os cidadãos educados e de bem que, ao discordar de um sem-educação, você estará, como sempre, sob sua própria conta e risco. Assim como não se deve atravessar a rua sem olhar para os dois lados não se deve entrar numa discussão com grossos de qualquer estirpe sem ter pensado ao menos um punhado de vezes nas opiniões que pretendem defender e nas implicações delas. Principalmente para a integridade das pregas dos envolvidos no debate.&lt;br /&gt;Lembrem-se sempre que os que são chamados de grossos e difíceis de lidar costumam elocubrar constantemente e, com isso, têm mais chance de já ter pensado de antemão nas tais implicações. Lembrem-se, também, que os grosseirões e difíceis de lidar não flanam pela vida afora, como os bem-educados, sem muito considerar a coerência de suas posições, assim como, as melhores alternativas para resguardar e manter a integridade de suas pregas.&lt;br /&gt;Por fim, cabe destacar que recursos da linguagem pouco amistosos e, por isso, subutilizados por cidadãos de bem são de uso comum entre os grossos, como a ironia. Não reclame se, ao discutir com um grosso, tomar uma piada suja, uma imagem escatológica ou mesmo um insulto de baixíssimo calão na testa sobre os olhos. Pode-se cair de quatro e ralar o joelhinho.&lt;br /&gt;Na próxima e última lição, analisaremos a provável origem do temor que nós inspiramos nos cidadãos de bem e que resulta na nossa imagem de proscritos no mundo moderno e politicamente correto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37809040-4711751219207578983?l=leite-de-pato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/feeds/4711751219207578983/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37809040&amp;postID=4711751219207578983&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/4711751219207578983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/4711751219207578983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/2008/10/como-lidar-lio-n-2-discorde-sob-sua.html' title='Como lidar? Lição nº 2: discorde sob sua própria conta e risco'/><author><name>E</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37809040.post-1669593201162731017</id><published>2008-10-09T18:02:00.003-03:00</published><updated>2008-11-28T19:10:27.999-02:00</updated><title type='text'>Como lidar? Lição nº 1: os parachoques de caminhão.</title><content type='html'>Há muito me perguntam: "Como lidar com um sujeito difícil como você?"&lt;br /&gt;Pensando bem, nunca me perguntaram isso. É menos uma pergunta do que uma afirmação. O comentário é sempre uma ou outra variante do que segue: "Você é uma pessoa difícil!". "Grosso!" também é muito usado. Se bem que esse último pode ter mais de uma implicação. "Babaca!" é igualmente bem cotado, além de menos sujeito a duplo sentido.&lt;br /&gt;Partindo-se do princípio que são todos sempre bem empregados, atendidas às normas cultas da língua e os ditames morais mais empedernidos, pode-se corretamente presumir que faço parte de um grupo seleto de sujeitos benquistos, produtivos, amáveis, solícitos e sempre prontos a ajudar o próximo, a executar boas-ações, a freqüentar pacientemente filas de todo o tipo e a ouvir calmamente todos gerúndios dos atendentes de telemarketing. Ou seja, sou da tribo dos sem-educação. Aquela que abriga em suas hostes os motoristas de taxi, os que riem alto em público, criam e falam repedidamente novas expressões idiomáticas de baixíssimo calão e, ocasionalmente, lançam perdigotos nos rostos alheios.&lt;br /&gt;Somos essencialmente uma tribo de pobres. Mas também há os que ascendem socialmente, formando a tribo dos novos-ricos barraqueiros. A principal diferença entre estes e os ricos tradicionais é que nós, os barraqueiros, não fazemos a cara séria e compenetrada dos ricos quando peidamos no elevador. Ficamos inútil e infantilmente segurando o riso.&lt;br /&gt;Minha mãe sempre dizia para eu tomar modos de gente para casar com uma cadela. Como nunca tive vocação para bestialismos, a não ser o de assistir ao JN, tratei de seguir-lhe o conselho o que me rendeu uma boa esposa e a inabilidade ímpar de me relacionar socialmente.&lt;br /&gt;Vivi, todos esses anos, procurando entender o por quê nasci e criei-me assim tão estúpido. Encontrando várias razões, resolvi juntar-me aos bons, completando o coro. Reconheço, batendo no peito e cuspindo no chão, é mesmo um grosso esse que ocupa a interface entre a cadeira e o teclado de onde brotam essas rancorosas linhas. Mas como opinião e cu, cada um tem os seus, sigo defendendo as minhas, e, principalmente, o meu. Já que opinião a gente muda, o cu, não.&lt;br /&gt;Quem se ofende com o texto, o peido e/ou o cu, junte-se aos néscios que unanimemente gritamos: "Grosso!", "Grosso!", "Grosso!"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37809040-1669593201162731017?l=leite-de-pato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/feeds/1669593201162731017/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37809040&amp;postID=1669593201162731017&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/1669593201162731017'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/1669593201162731017'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/2008/10/como-lidar-lio-n-1-os-parachoques-de.html' title='Como lidar? Lição nº 1: os parachoques de caminhão.'/><author><name>E</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37809040.post-2877757507582554751</id><published>2008-09-08T16:38:00.004-03:00</published><updated>2008-09-08T19:14:25.162-03:00</updated><title type='text'>Acirrando as contradições.</title><content type='html'>- Mãos ao alto!&lt;br /&gt;- Pô, cara, mó ruim, hein?! Mané, tiozão! Se você quer chamar mesmo a atenção, não pode chegar mandando um "Mãos ao alto!". Tem que chegar, tipo, mandando um "Perdeu, prei!". De AR na mão! Dedo embaixo da camisa fingindo 38 não dá nem pra começar...&lt;br /&gt;[Olhando o dedo indicador em riste] - Bons tempos os do arco e flecha... Pelo menos o armamento do mocinho era melhor que o dos bandidos...&lt;br /&gt;- E tem mais: se chegar assim, querendo "zuar" no plantão dos outros, pode dar porrada. E porrada hoje, você sabe, não acaba mais em tapa na orelha, mata-leão e olho da rua. Pode acabar com um tiro na mão. Pra nunca mais repetir a zuação. E se bobear vai parar no micro-ondas. Ou vira comida de jacaré.&lt;br /&gt;- Devia ter votado no Amaral Neto. Contra quem aplica jurisprudência de excessão e pena de morte a torto e a direito só mesmo a barbárie de Estado.&lt;br /&gt;- Juris o quê?&lt;br /&gt;- Esquece. Tudo tem que ser assim: olho por olho?&lt;br /&gt;- Ah, tem. Zuou tem que pagar.&lt;br /&gt;- Qualquer um? Até menor incapaz?&lt;br /&gt;- Incapaz? Quem falou em incapaz?&lt;br /&gt;- Por exemplo, o que você acha dos malabaristas de sinal?&lt;br /&gt;- É até engraçado. Enquanto os mané ficam olhando as bolinhas no ar, o carro de trás tá sendo assaltado.&lt;br /&gt;- E se o carro assaltado é o seu?&lt;br /&gt;- Aí perdeu, né. Na volta a gente queima geral.&lt;br /&gt;- Queima?&lt;br /&gt;- É, queima. Desce o dedo em geral.&lt;br /&gt;- Mata?&lt;br /&gt;- Mata. De tiro. E se não matar de primeiro, taca fogo com mané caído mesmo.&lt;br /&gt;- Fogo, fogo? Ou fogo, bala?&lt;br /&gt;- Bala na cara. Ou fogo mesmo se geral quiser devolver a zuação.&lt;br /&gt;- Certo, certo. Entendi. E a polícia?&lt;br /&gt;- Que polícia? Polícia, mineira, bandido. É tudo igual. Desce o dedo em geral.&lt;br /&gt;- Não há quem defenda a ordem pública?&lt;br /&gt;- As coisas só ficam em ordem se descer o dedo. Se geral tem medo tudo fica na paz. Mas se bancar mané bonzinho perde o respeito e aí é sinistro. Neguinho esculacha.&lt;br /&gt;- Quer dizer que não há conversa? Não se troca idéia?&lt;br /&gt;- Conversar pode, mas custa caro. Hoje em dia, com lei seca, a conversa tá em quinhentão. E neguinho pode até jogar uma letra, dá umas idéias. Mas tem que saber a sua hora e o seu local. Se jogar a letra errada, por exemplo, na mulher dos outros, pode dar merda.&lt;br /&gt;- Já deu, né?&lt;br /&gt;- Hã?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37809040-2877757507582554751?l=leite-de-pato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/feeds/2877757507582554751/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37809040&amp;postID=2877757507582554751&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/2877757507582554751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/2877757507582554751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/2008/09/acirrando-as-contradies.html' title='Acirrando as contradições.'/><author><name>E</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37809040.post-3812124107221404113</id><published>2008-08-04T15:27:00.003-03:00</published><updated>2008-08-04T16:39:42.327-03:00</updated><title type='text'>Biografia e Cultura</title><content type='html'>Ocasionalmente penso na vida. Não é sempre. Nem tanto que constitua uma obsessão nem tão pouco que beire à asfixia. O que não garante uma tirada brilhante. Nem evita a estupidez total.&lt;br /&gt;De uns tempos para cá, desde que cismei em trasformar em tema o (meu?) individualismo, tenho pensado muito nos limites possíveis de uma biografia.&lt;br /&gt;Ou, de outra perspectiva, o que temos liberdade de fazer? Até onde vai, ou pode ir, nosso universo de escolhas pessoais?&lt;br /&gt;Um post do blog do Alex de Castro, o Liberal, Libertário, Libertino, (endereço no banner leio sempre aí ao lado) me mandou numa dessas viagens. Chama "A decisão de não ter filhos". No post o autor relata a incompreensão geral quando ele expressa sua opinião resumida no título. Passa então a propor uma tipologia das reações, todas contrárias, à sua convicção.&lt;br /&gt;Como "pai fresco", pus-me a pensar sobre a convicção e as reações descritas pelo Alex. Imagino que em determinadas sociedades não seja concebível colocar-se essa questão: devo ou não ter filhos? Sociedades mais hierarquizadas, onde o espaço para a biografia, ou seja, para as escolhas individuais, seja mais reduzido, o "projeto de vida" dos membros contempla necessariamente alguma forma de união estável com indivíduo do sexo oposto e descendentes são esperados. A saudação "é maschio!" ou "é varão!" é suficientemente comum (e multicultural!) para entender, inclusive, que há descendências mais e menos valorizadas.&lt;br /&gt;Tenho tios nascidos nas primeiras décadas do século passado que não tiveram filhos. O que indica que a nossa sociedade admite essa decisão individual. A citação "não legar aos nossos filhos a miséria deste mundo", se não me engano do Machado de Assis, indica que, ao menos por hipótese, a decisão de não ter filhos faz parte do universo de possibilidades disponível para a construção das nossas biografias, pelo menos desde o século XIX.&lt;br /&gt;No entanto, o relato do Alex enfatiza a estranheza que essa decisão ainda causa entre nós. O que é bastante revelador do quanto a liberdade individual é limitada na nossa cultura. É interessante que um dos comentaristas faça referência ao desejo de ter filhos reduzindo-se após período vivendo na Alemanha. Sociedades mais individualistas, além de possibilitar mais opções para a construção das biografias, tendem a reduzir, ao tornar prosaico, as repercussões daquilo que sociedades mais hierárquicas encaram como um desvio.&lt;br /&gt;Nenhum argumento parece ser suficiente para convencer os contendores. Nem o egoísmo do amor pelo nosso descendente ou da recusa a abstinência dos prazeres pessoais. Nem as preocupações ecológicas ou da assistência na velhice. As partes são irredutíveis.&lt;br /&gt;Evidentemente, a liberdade individual é desejável em si mesma. E, portanto, é melhor que se possa decidir não ter filhos e, eventualmente, arrepender-se, do que ser obrigado a tê-los e arrepender-se do mesmo jeito. Afinal, temos filhos por e para nós mesmos. É uma decisão (ou um acidente) na biografia dos pais. Mas é também um evento, o primeiro e talvez mais importante deles, na biografia dos filhos! Por outro lado, não me consta que sociedades mais individualistas sejam mais bem-sucedidas ou produzam cidadãos mais felizes ou menos neuróticos que sociedades mais hierárquicas.&lt;br /&gt;Fui, voltei e não cheguei a conclusão alguma. Afirmei que pensava às vezes. Não disse que chegava a conclusões...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37809040-3812124107221404113?l=leite-de-pato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/feeds/3812124107221404113/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37809040&amp;postID=3812124107221404113&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/3812124107221404113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/3812124107221404113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/2008/08/biografia-e-cultura.html' title='Biografia e Cultura'/><author><name>E</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37809040.post-6738388493430602868</id><published>2008-06-10T16:59:00.002-03:00</published><updated>2008-06-10T17:34:15.811-03:00</updated><title type='text'>Texto de merda (ou merda de texto?)</title><content type='html'>Prefiro não escrever em tempos bicudos como estes.&lt;br /&gt;Quando os assuntos mais efervescentes são cagadas de jogador de futebol, melancias, jacas e afins é melhor guardar nossos comentários para fóruns onde nós e os nossos ouvintes têm muito sangue na corrente alcoólica.&lt;br /&gt;Mas hoje não pude deixar de escrever.&lt;br /&gt;O f(l)ato novo que motiva meu título quase dinamarquês é o seguinte:&lt;br /&gt;Recebi hoje o último relatório semanal do Sitemeter.&lt;br /&gt;Parêntesis: Um barato esse negocim. Saber quem leu seu texto, de onde veio, pra onde foi é muito interessante. Detesto o anglicismo empresarial mas retroalimentar é demais até para mim, um semi-MV "halloween é o cacete!". Mas o tal Sitemeter é um bruta dum feedback.&lt;br /&gt;Encerrado o parêntesis. E o que revelou o tal relatório que me escandalizou tanto a ponto de verter fezes da minha boca? Ou melhor, do meu teclado?&lt;br /&gt;Este espaço, mantido a doses irregulares das minhas paranóias, recebeu, honrado, a visita de um patrício, residente a Capital da nossa ex-metrópole, que inquiriu ao Google, o pai nosso cibernético dos aflitos e desesperados, como poderia curar seus problemas de flatulência.&lt;br /&gt;E eis que o Todo Poderoso indicou-o um texto desse pobre sítio terceiro-mundista!&lt;br /&gt;Onde estive, tão complexado, que não percebi que meu texto curava flatulência? Veja bem, leitor, anos de análise depois, alguém que nem profissional da palavra tem a capacidade de ser, pode, segundo o oráculo virtual que tudo pode, tudo vê e a tudo resolve, curar males intestinais.&lt;br /&gt;Já li alguns textos comentando essas visitas movidas a Google. Mas o flato é meu, ninguém tasca.&lt;br /&gt;Pois que seja. Pai Google falou tá falado.&lt;br /&gt;Vinde a mim os peidorreiros, que a minha palavra vos curará!&lt;br /&gt;Só faz favor de não peidar na minha frente, que a vez agora a minha.&lt;br /&gt;Como diria um ex-chefe: Caguei!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37809040-6738388493430602868?l=leite-de-pato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/feeds/6738388493430602868/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37809040&amp;postID=6738388493430602868&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/6738388493430602868'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/6738388493430602868'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/2008/06/texto-de-merda-ou-merda-de-texto.html' title='Texto de merda (ou merda de texto?)'/><author><name>E</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37809040.post-4364368830140013468</id><published>2008-05-16T12:05:00.002-03:00</published><updated>2008-05-16T15:24:11.806-03:00</updated><title type='text'>"Não é nada pessoal..."</title><content type='html'>Quem usa essa frase aí de cima faz uso na seqüência de alguma adversativa: mas, contudo, no entanto. Ou então, inverte a ordem. Dá a má notícia primeiro e a sacramenta com a fatídica como uma pá de cal na testa do seu interlocutor, entre os olhos.&lt;br /&gt;Não poderia estar mentindo de forma mais vil, o dissimulado. Tudo o que nos diz respeito, para o bem e para o mal, é pessoal.&lt;br /&gt;É uma praga da nossa era essa segmentação. A divisão do trabalho enraizou-se tão profundamente no nosso cotidiano que tomou de roldão nossa própria visão de mundo. É um caso clássico de um fenômeno eminentemente econômico enveredando pela ideologia e dando forma ao espírito da época.&lt;br /&gt;Sob a proteção da pretensa divisão das esferas da vida pode-se ser um canalha mau-caráter, ladravaz ordinário, no trabalho ou na vida pública e em casa e entre amigos ser um sujeito exemplar, de boníssimo coração. Ou ao contrário, em família ser violento e cruel, a encarnação mal, e para os vizinhos ser o bom cidadão como o velhinho simpático e pacífico que seviciou a filha e a manteve com seus filhos-netos em cárcere privado no porão.&lt;br /&gt;Somos tudo o que somos onde quer que estivermos. O executivo arrojado pode ser até que goste de sossego e tenha medo de avião. Mas ser arrojado e ter medo de avião não são características assim tão incompatíveis que seja necessário compartimentalizar a vida de cada um para poder entender que coexistam na mesma pessoa.&lt;br /&gt;O executivo arrojado continua sendo o mesmo sujeito enquanto exerce (ou deixa de fazê-lo!) seu papel de pai tranqüilo e contemporizador. E não deixa de ter medo de avião nas férias da família na Disney e/ou na viagem de negócios para Nova Iorque. Ele, como todo mundo, é tudo ao mesmo tempo agora a todo momento. E é exatamente por isso que a vida é difícil, o mundo e as pessoas são complexas.&lt;br /&gt;Se, por ossos do ofício, é necessário contrariar interesses e por vezes fazer opções que ferem ou prejudicam alguém não me venha com esse papo desonesto de que não é uma questão pessoal. Prejudicar esse alguém é sua função e fazê-lo é uma ação pessoal e intransferível. Você é a pessoa que o faz e ele ou ela é a vítima da sua ação. Exerça a má ação e admita que o fez sendo executivo, pai e medroso. Ou discorde e se recuse a fazê-lo e arque com as conseqüências como executivo, como pai e, principalmente, como cagão.&lt;br /&gt;Consciências pesadas encontram conforto na compartimentação da vida. Não é nada pessoal. Até gosto de você. Mas sabe como é... Sinto muito em lhe afirmar: É pessoal, sim. O que quer que sua vítima do momento represente, quem quer que ela seja, como trabalhador, como filho, como pai, como irmão ou como pescador de fim-de-semana não deixará de sê-lo porque está na mesa do bar diante de um chope e não na estação de trabalho em frente a um computador.&lt;br /&gt;Vai nessa. Mas siga adiante sozinho com sua consciência pesada e aliviando-se do peso dos seus atos com a fé cega de que não é pessoal. Mas no caminho que está trilhando um dia ainda vai encontrar um portal sobre o qual lê-se: "Lasciate ogne speranza, voi ch'intrate". Ou então, antes disso, pode se deparar com uma das suas vítimas, com uma pá de cal na mão e um sorriso no rosto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37809040-4364368830140013468?l=leite-de-pato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/feeds/4364368830140013468/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37809040&amp;postID=4364368830140013468&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/4364368830140013468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/4364368830140013468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/2008/05/no-nada-pessoal.html' title='&quot;Não é nada pessoal...&quot;'/><author><name>E</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37809040.post-8320959605197960496</id><published>2008-04-15T14:32:00.003-03:00</published><updated>2008-04-16T11:30:04.629-03:00</updated><title type='text'>Gênero e sexualidade</title><content type='html'>Lendo um dos meus blogs prediletos (pequenos delitos, veja aí na barra ao lado) deparei-me com uma mini pesquisa de opinião proposta pelo autor. Em dois posts, um para elas e outro para eles, o PD perguntava o que cortava o tesão de ambos, respectivamente.&lt;br /&gt;Leio sempre alguns blogs sobre sexualidade, alguns deles estão aí na barra favoritos ao lado. Participo às vezes das polêmicas nos comentários. Mas nunca me entusiasmei a escrever aqui sobre o assunto. Não de forma explícita, pelo menos. Primeiro porque esse é um blog autoral. Portanto, o que escrever aqui será identificado como opinião deste autor que, como todo mundo, transita em diversos meios, uns mais e outros menos conservadores. Embora tenha opiniões, a maioria é impublicável. Não com meu jamegão embaixo...&lt;br /&gt;Por outro lado, não escrevo ficção muito bem. Tento, vez por outra. Mas quem já leu meus textos, se não leu está convidado a fazê-lo estão logo aí abaixo, percebe a predominância das crônicas sobre a ficção em número e, principalmente, em qualidade.&lt;br /&gt;Vou arriscar tratar do assunto porque as opiniões emitidas nos comentários aos posts do PD me causaram curiosidade irresistível. Não pretendo defender esta ou aquela opinião. Minhas opiniões pessoais deixei por lá em comentário. Quero aqui fazer uma reflexão, irônica como é do meu feitio, sobre os comentários que a galera sentiu necessidade de registrar por lá. Então lá vai.&lt;br /&gt;Toda semana uma ou mais revista(s) traz(em) na capa matéria sobre as diferenças entre homens e mulheres no que diz respeito ao sexo. Desde questões mais filosóficas e/ou psicológicas até e, principalmente, aquelas mais picantes que despertam o voyeur em todos nós. Sem falar nos milhares de títulos da literatura especializada, do He, She, We à Bruna surfistinha, passando pelos homens de Marte e as mulheres de Vênus.&lt;br /&gt;Opiniões especializadas são opiniões como outras quaisquer. Ninguém obriga a acreditar em opiniões de especialistas. Embora muitos deles apresentem as suas recheadas de argumentos de autoridade. O que me chamou a atenção foi a moda das várias respostas ao PD. Aos dois posts somavam-se uns 120 comentários, mais ou menos. É muita opinião em pouco espaço. E isso é ótimo material para refletir...&lt;br /&gt;De forma geral, os homens relatavam dois tipos de atitudes femininas consideradas brochantes. Uma relacionada, em grande medida, a atributos masculinos. Outra, mais importante, relacionada a um certo código de conduta altamente conservador.&lt;br /&gt;Por um lado, a rapaziada reclamou das mocinhas pouco vaidosas e/ou asseadas. No linguagem dos nativos: fedorentas e peludas. Várias partes do corpo foram indicadas para depilação, sob pena de, na presença de pêlos indesejáveis, obliterarem a "paudurecência" dos sensíveis parceiros: o rosto, bico do peito, axilas, etc. Houve até quem reclamasse dos pêlos no fiofó das mocinhas! E ai das mocinhas que não estejam imaculadamente perfumadas! Ferormônio? Nem pensar. Chanel nº 5. No mínimo. Fora disso, banho. Cama? Só se for sozinha.&lt;br /&gt;O "feminino" não tem nada a ver com genética. Cromossoma X, uma ova! Pelo contrário, é uma condição arduamente conquistada. Atingida somente mediante muito esforço e dedicação. Horas e horas de escova, cera quente, perfumes, óleos, tintas, esmaltes, polimentos, lixas, tesouras e outros instrumentos de tortura medievais. Ou seja, ser mulher dá muito (mas muito!) trabalho. Qualquer coisa menos do que isso não é "feminino", pelo contrário, é animal, animalesco. Masculino, enfim. O que me leva à seguinte reflexão: embora sejamos animais muito parecidos, a mulher tem que se esforçar para ser diferente do que é porque os homens tem aversão àquilo mesmo que os faz (a todos!) homens: cheiros, unhas, pele e pêlos. Suspeito que isso é parte da aversão masculina a acusação de homossexualidade. Qualquer característica numa mulher que lembre vagamente uma qualidade ou atributo tido como masculino deve ser prontamente rejeitada. Que homens seríamos nós se nossas mulheres tiverem buço? Viados! Donde, buço é definivamente brochante. Suor? Coisa de homem! Mulher cheira a rosas. E por aí vai.&lt;br /&gt;Por outro lado, a cuecada reclamou das mulheres IML. Aquelas mocinhas mais passivas e recatadas que transam em silêncio, sem grandes estripulias e malabarismos. Quem vai dizer que isso não é brochante? Não fica claro nos comentários a quem esse tipo de crítica se aplica. Nelson Rodrigues, só para citar um exemplo entre vários, tratou em diversas oportunidades das diferenças entre as mulheres de casa e as mulheres da rua. Seriam as mulheres IML mulheres de casa ou mulheres da rua? A julgar pelo que se pode imaginar como perfil dos leitores do PD, jovens adultos, 30 anos em média, classes médias e altas, com acesso à internet e tempo para leitura de blogs, etc, é de se imaginar que a rapaziada quando fala mal das mulheres IML está falando das mulheres da rua. Saiu, foi pra "nigth", pegou uma mocinha, arrastou pra cama e ela nem se mexeu! Brochante. Claro.&lt;br /&gt;Pode ser preconceito, mas duvido que qualquer dos comentaristas tenha imaginado como ideal sua santa mãezinha ou, para evitar o incesto mais tabu, sua querida irmãzinha, numa trepada espetacular, cavalgando com desenvoltura e desfiando, em alto e bom som, vocabulário capaz de fazer corar um estivador. Donde, concluo: mulher lanchinho tem que fazer com gosto, tem que dar gostoso, como profissional. Uma lady na mesa e uma louca na cama, como diria o Wando. Já a mulher para casar, essa, não se sabe, mas desconfio que não seja desejável tanta desenvoltura.&lt;br /&gt;Já as mulheres reclamaram de um monte de coisas. Desde homem pelado e de meias, (O que é realmente ridículo! Tire sempre suas meias antes de tirar as calças!) até da cueca folgada, furada ou suja. Pelo visto, tem muito homem por aí de cueca velha e/ou mal lavada. Mas sobretudo, reclamaram de homens que não as esperam gozar, ejaculadores precoces ou egoístas sem consideração, e daqueles homens "sem pegada".&lt;br /&gt;A julgar pelo perfil mais provável da mulherada leitora do PD, em média 30 anos, classe média, provavelmente empregadas ou ao menos estudadas, pós-feministas, etc, é bem razoável que queiram se relacionar com homens que lhes permitam usufruir a atividade sexual. O gozo é uma conquista feminina incrivelmente recente. Nisso elas estão cobertíssimas de razão. Se não fazemos sexo estritamente para reprodução é uma questão de igualdade que elas gozem também. Ou não?&lt;br /&gt;Agora é curioso o desejo manifesto delas por homens "com pegada", que comandem a dinâmica das atividades de alcova. Que não façam perguntas: desde "como você gosta?", "como você quer?" até o famigerado "você gozou?", entre outras. Que não demostrem insegurança, etc. Teve até quem dissesse que prefere homem cafajeste! Ok, essa eu já tinha ouvido antes mas sempre me espanto com isso! As mulheres querem homens com H maiúsculo. Homem macho! Donde conclue-se: não basta ter nascido XY, tem que cultivar esse jeito cafajeste de ser. Na linguagem das nativas: tem que ter pegada. O que, embora precise de menos horas de tortura para ser atingido, também requer esforço. Muito esforço. Podemos ser preguiçosos e não cuidar do nosso asseio com tanto afinco, contanto que nossas cuecas sejam novas e limpinhas. Em compensação temos que demonstrar segurança, arrojo e destemor diante das incertezas do mundo. Temos obrigação de garantir a segurança e o conforto das nossas parceiras. No imaginário delas temos ainda o papel de cavaleiros de armadura. Senão elas "brocham". E, mais importante, não dão pra gente!&lt;br /&gt;No que concordam homens e mulheres. Apesar de todas as diferenças. Homens e mulheres devem ser diferentes. Homens preferem mulheres "femininas" e mulheres preferem homens "masculinos". De certa forma, é bom que seja assim. Se nosso imaginário fosse tão divergente quanto às vezes se pinta, as frustrações seriam tão grandes que não teríamos qualquer chance de sermos minimamente felizes. Ou, então, as mudanças que estão sempre ocorrendo seriam tão rápidas e desestabilizantes que a angústia de viver seria insuportável.&lt;br /&gt;PS: Ocorreu-me agora, depois de terminar o texto, que o tal metrossexual não está muito bem cotado entre as leitoras do PD. A menos que esse papo todo de metrossexual se resuma às cuecas limpinhas...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37809040-8320959605197960496?l=leite-de-pato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/feeds/8320959605197960496/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37809040&amp;postID=8320959605197960496&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/8320959605197960496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/8320959605197960496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/2008/04/gnero-e-sexualidade.html' title='Gênero e sexualidade'/><author><name>E</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37809040.post-32528351731134532</id><published>2008-04-01T15:52:00.002-03:00</published><updated>2008-04-01T16:16:08.865-03:00</updated><title type='text'>Maiúsculas</title><content type='html'>Queria escrever sobre o olhar. Sobre aqueles dias em que a gente anda pela rua e vê o mundo com estranhamento. Reparando tudo. Esses dias têm até cheiro. Um cheiro estranho mistura de embalagem plástica e terra molhada. Enquanto pensava em olhar esqueci-me de ver. Dei de encontro com um fradinho que delimitava a calçada. Doeu.&lt;br /&gt;Estranhos devaneios estes. Qual o limite entre ver e olhar?&lt;br /&gt;Vê-se, por vezes, sem olhar. A delimitação objetiva. A razão no controle. E olha-se sem ver. Emoção na veia. O olho que explora. O olhar sente. A visão faz sentido.&lt;br /&gt;Como tudo o mais há que se tomar partido. Escolher seu lado. Escolhi.&lt;br /&gt;Antes olhar e não ver. Dói mas dá mais prazer.&lt;br /&gt;À propósito, um voyeur olha ou vê?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37809040-32528351731134532?l=leite-de-pato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/feeds/32528351731134532/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37809040&amp;postID=32528351731134532&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/32528351731134532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/32528351731134532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/2008/04/maisculas.html' title='Maiúsculas'/><author><name>E</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37809040.post-8461412587649315106</id><published>2008-03-17T17:58:00.004-03:00</published><updated>2008-03-17T18:37:13.807-03:00</updated><title type='text'>Náusea</title><content type='html'>Há uns tempos atrás, munido de toda minha falta de juízo e incorporado de todo meu espírito de aventura, arrisquei a leitura de "A Náusea" de Sartre. Pobre e mão de vaca assumido, claro que não meti a mão no bolso por ele. Reservo meus caraminguás para outra cepa bens de consumo não-durável. Mormente do tipo entorpecente e solúvel em água. Peguei-o emprestado a alguém que amo e tenho na mais alta consideração. Enquanto lia quase rebaixei minha dileta companhia pelo simples fato de tê-lo lido. Depois mantive-a no posto ao saber que também não tinha boas lembranças da leitura, na verdade, quase não guardara registro de havê-lo lido. O que não depõe a favor de qualquer obra, pois não?&lt;br /&gt;Estranho século XX. Só nessa idade de trevas um livro daqueles vira best-seller. Sei pouco de filosofia. Muito menos da filosofia de Sartre. Mas como artista pode-se dizer, com esforço d'alma e boa-vontade incomum, que Sartre é um bom filósofo.&lt;br /&gt;O personagem central narra sua história que vai do nada a lugar nenhum. Não desperta no leitor, pelo menos não nesse leitor, qualquer sensação senão de tédio. E uma raiva ocasional pela perda de tempo. Há obras de arte que tentam despertar algum tipo de sensação de desconforto. Falo de desconforto físico e não moral. Porque ninguém agüenta mais arte engajada que quer chocar a burguesia e sua moral cristã conservadora. O livro "A preguiça" da série os sete pecados capitais é um exemplo bem sucedido. O filme "Cinema, aspirinas e urubus" também.&lt;br /&gt;Bom, falei isso tudo para dizer que desde que tomei um remédio que me causou náuseas como efeito colateral, ando sentindo a chegada da menopausa. Meu lado mulher que até então se resguardara, revela-se agora uma jovem senhora em pleno climatério. Volta e meia sou tomado por calafrios, suores e uma sensação de enjôo que só parcialmente consigo controlar. Sinto-a chegar de longe. E, às vezes, se me concentrar nela, consigo fazê-la aproximar-se (e, conseqüentemente, dissipar-se) mais rápido.&lt;br /&gt;Vai ver que fui tomado pelo mal após a leitura. Peguei náusea. Nunca me senti mais cidadão do meu tempo quanto agora. Eu que sempre fui meio chato agora sou um enjoado nauseabundo. De qualquer forma, pretendo de agora em diante evitar leituras controversas. Sabe-se lá do que mais a gente pode se contaminar?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37809040-8461412587649315106?l=leite-de-pato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/feeds/8461412587649315106/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37809040&amp;postID=8461412587649315106&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/8461412587649315106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/8461412587649315106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/2008/03/nusea.html' title='Náusea'/><author><name>E</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37809040.post-7555836214818112659</id><published>2008-02-28T15:51:00.002-03:00</published><updated>2008-02-28T17:14:46.661-03:00</updated><title type='text'>O nojo e eu</title><content type='html'>Vi uma cena engraçada hoje pela manhã. Numa calçada, nos fundos de um prédio residencial passávamos, em sentido contrário, eu e uma mocinha, uns vinte e muitos, trajada de "executiva" conforme os ditames da capa da Nova deste mês. Óculos escuros, pastinha, paletozinho verde. Modelo 2008.&lt;br /&gt;Ocorre que, por aquelas horas, um cidadão, acompanhado do porteiro do prédio que a tudo assistia com olhar atento e divertido, executava um servicinho sujo para o condomínio. Tanque às costas, aspersor na mão, bancava o Charles Bronson encharcando de veneno um bueiro, a calçada em volta e as baratas que fugiam histéricas.&lt;br /&gt;Fixei nitidamente a expressão de horror que se apossou da "executiva da Nova" enquanto ela saltitava em fuga evitando ser aspergida pelo Desejo de Matar insetos ou, pior, muito pior, ser atropelada pelo estouro das baratas em pânico.&lt;br /&gt;Até aí, tudo normal. A executiva de cara amarrada e óculos escuros tem nojo de baratas. O que vi a seguir é que causou o espanto gerador dessas linhas. Assim que sentiu-se segura, frações de segundo depois, já deixara para trás o estouro das baratas e um feliz exterminador com senso do dever cumprido, encerrou a série acrobática de saltos em sapato alto, apagou a expressão de horror do rosto, amarrou novamente a cara e seguiu seu caminho.&lt;br /&gt;Donde concluo:&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, o susto não pode ter sido pequeno. O nojo é uma das sensações mais punjentes que há. Darwinistas devem reconhecer nisso um instinto inato selecionado naturalmente em anos de evolução que nos protege de alimentos estragados, animais e outros seres que nos podem fazer mal. E, ademais, a destreza e a dificuldade de partida da acrobacia evasiva que ela empreendeu bastava para constatá-lo. Mas a expressão de horror foi a maior prova do que se passava com ela. Por trás da frieza dos óculos escuros da executiva estava uma mulher em pânico. Com a testa, o nariz e a boca franzidos, verde de nojo, enquanto saltava o duplo-twist-carpado sem cair do salto, balbuciava interjeições incompreensíveis, num código misto de palavras entrecortadas e grunhidos. Um espetáculo.&lt;br /&gt;Apesar disso, em frações de segundo, sã e salva, nem parecia que passara por tudo isso. Era de novo o retrato da frieza do mundo corporativo. Com o charme da mulher moderna, claro, no seu terninho verde água. Talvez um olhar menos cansado que o meu visse um suor qualquer na testa, um mínimo esgar, fios de cabelo fora do lugar, um leve tremor das mãos ou do passo que denunciasse os fatos recentes. Não vi nada disso. Após o pânico do nojo, a dureza d'alma de anos, ainda que poucos, vivendo na aridez do mundo corporativo.&lt;br /&gt;Apesar do nojo ser uma sensação extrema, o que é provado pela exuberância da sua demonstração, não só a dela, especificamente, mas a de todos nós, e mesmo sendo um sentimento dirigido ao que há de mais repulsivo no mundo, servindo, inclusive, para rechear e colorir nossas desavenças como uma das mais graves demonstrações de desprezo e vileza, nos vemos obrigados a escondê-lo tão logo possível.&lt;br /&gt;O nojo, ou melhor, sua expressão nos expõem ao ridículo. Apesar de atlético, o duplo-twist-carpado de salto, óculos escuros e terninho verde é mesmo meio ridículo. Outro motivo para escondê-lo é a possibilidade da sua utilização como acusação. O adjetivo "nojento" ou, na variante, "um nojo" pode tanto indicar um indivíduo repulsivo quanto alguém esnobe, que tem nojo de tudo. Algo como um aristocrata dos "demos", original como um paulista quatrocentão ou genérico como um Maia. Se bem que, nesses casos, tanto "repulsivo" quanto "esnobe" não comporiam uma decrição das mais infiéis. Por isso, sob pena de ser convidado a filiar-se ao partido, a demonstração de nojo deve ser utilizada sabiamente, com pouca freqüência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37809040-7555836214818112659?l=leite-de-pato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/feeds/7555836214818112659/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37809040&amp;postID=7555836214818112659&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/7555836214818112659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/7555836214818112659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/2008/02/o-nojo-e-eu.html' title='O nojo e eu'/><author><name>E</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37809040.post-899663072765051551</id><published>2008-02-28T15:07:00.004-03:00</published><updated>2008-03-17T17:57:58.678-03:00</updated><title type='text'>A volta dos que não foram</title><content type='html'>No mundo das idéias somos sem nunca termos sido. Sem custos, sem demora, sem defasagens, sem gozo, enfim. Já no mundo das coisas, pelo contrário, tentamos ser. Mas nele os percalços, em ambos os sentidos (Valei-nos São Aurélio!), adiam, pedem, impedem, empurram, empacam, freiam, vão e voltam sobre eles mesmos e, assim, indo e vindo, nos transformam. Sim, não somos tão agentes como pensamos. São os percalços nos transformam. Já repararam que os planos raramente dão certo? Para o bem ou para o mal...&lt;br /&gt;Esta perspectiva dualista nos franqueia simples e elegantes justificativas. Sobretudo para nós mesmos, já que o mundo das coisas não está nem aí para nossas explicações. Nem sobre nós, muito menos sobre ele. Por que raios fazemos o que fazemos? Alternativamente: por que deixamos de fazê-lo?&lt;br /&gt;É isso que queria dizer nesse retorno. Apesar de não ter jamais ido não estive por aqui por muito tempo. Voltei. Nunca abandonei o mundo das idéias. Mas há engrenagens entre as idéias e o teclado que não funcionaram. Há mais mistérios entre a língua e o céu da boca do que pode supor nossa vã filosofia.&lt;br /&gt;Não sei porque vim quando debutei. Também não sei porque fui. Se é que fui. Voltei mas também não sei o porquê. Mas que voltei, voltei. Ao menos enquanto não mudar de idéia...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37809040-899663072765051551?l=leite-de-pato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/feeds/899663072765051551/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37809040&amp;postID=899663072765051551&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/899663072765051551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/899663072765051551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/2008/02/volta-dos-que-no-foram.html' title='A volta dos que não foram'/><author><name>E</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37809040.post-116472056535464639</id><published>2006-11-28T11:29:00.000-02:00</published><updated>2006-12-01T02:22:00.006-02:00</updated><title type='text'>Sir Salman e Mrs Rose Tea</title><content type='html'>Amavam-se. Eram inseparáveis. Incontáveis os anos de vida comum.&lt;br /&gt;Ele um sr. longilíneo de feições cortantes. Destaca-se no seu rosto um nariz estreito e longo, curvado levemente para baixo. Nas suas muitas horas de leitura dependurava em seu nariz um pincenê de grau com aro redondo. Cabelos permanentemente engomados. Mãos longas e finas com unhas impecavelmente tratadas. Via-se de pronto que se tratava de alguém com educação aristocrática. Refinadíssimo nos modos e nos gostos. Impossível determinar-se-lhe a idade. Parecia há muito parado no tempo.&lt;br /&gt;Ela uma sra. rotunda. Ombros largos, quadris fartos. Mãos e pés encaixados como pilões nas curtas e grossas engranagens que eram seus braços e pernas. Trazia os cabelos loiros quase sempre em um coque. Vestia-se com modos mas de maneira simples. Havia sido educada, como todos na sua família, em internatos religiosos. Conhecia as manifestações artísticas e filosóficas de seu tempo mas não valorizava os grandes feitos. Valorizava a simplicidade. O ciclo das plantas, o manejo da terra, a alquimia das receitas. Na solidão da casa, satisfazia-lhe as longas horas de trabalho dedicadas à manutenção da ordem das coisas. Ordem que lhe parecia tão natural quanto o dia e a noite, quanto às estações do ano. Assim como o sol apareceria, eventualmente, depois de uma chuva, os potes de arroz, farinha e açúcar haveriam de ser encontrados na porta de cima do armário da cozinha. Como ele, não demonstrava a idade que tinha. Mas não havia parado no tempo. Pelo contrário, era atemporal.&lt;br /&gt;Sabia-se dele que vivera a Belle Epoque. Trabalhara em serviços diplomáticos. Viajara meio mundo, ida e volta.&lt;br /&gt;Sabia-se dela que vivia de casa para a igreja, da igreja para casa. Isso quando retornara à casa da família. Enquanto esteve fora, estudando, esse roteiro resumia-se a cruzar o pátio interno da escola. Afinal, morava e estudava na igreja.&lt;br /&gt;Encontraram-se numa apresentação musical na Igreja Matriz. Ela fora acompanhando seus pais e irmãos. Em deferência ao convite do padre porque ao evento precedeira missa presidida pelo Arcebispo. Ele fora só, convidado pelo eminente músico francês que re-inauguraria o piano da catedral. Conheciam-se dos seus anos parisienses.&lt;br /&gt;O êxtase religioso dela antecedeu o êxtase musical dele. Mas ambos foram antevistos na entrada da igreja. Viram-se. E do olhar de um de outro brilhou a esperança dos êxtases imediatos e futuros, principalmentes destes, dos muitos êxtases que viriam.&lt;br /&gt;E vieram. Tinham que vir. Foram tomados por um tal amor que não haveria impedimento que não pudessem mover. Por fim, casaram-se.&lt;br /&gt;Não tiveram filhos. Filhos, embora, façam-se simplesmente, não adicionam simplicidade à vida. E para fazê-los, não ajuda o pincenê.&lt;br /&gt;Ninguém jamais entendeu o que os atrai um ao outro. Mas sujeitos à mão de ferro do seu amor, embora eles próprios não o compreendam, obedecem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37809040-116472056535464639?l=leite-de-pato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/feeds/116472056535464639/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37809040&amp;postID=116472056535464639&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/116472056535464639'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/116472056535464639'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/2006/11/sir-salman-e-mrs-rose-tea.html' title='Sir Salman e Mrs Rose Tea'/><author><name>E</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37809040.post-116472052669285399</id><published>2006-11-28T11:28:00.000-02:00</published><updated>2006-11-28T11:28:46.693-02:00</updated><title type='text'>Limites</title><content type='html'>Em viagem recente cruzei limites. Atravessei a fronteira entre estados. Mudei de clima: litoral, cerrado e caatinga. Saí do raio de cobertura do meu celular. Trabalhei mais do que devia. Perdi a confiança. Enraiveci-me. Entediei-me.&lt;br /&gt;E de todos os limites que atravessei, incrível, não notei nenhum.&lt;br /&gt;Da fronteira, marcada no mapa, na estrada não havia sinal. Aliás, da estrada, por vezes, também não havia sinal.&lt;br /&gt;O clima mudou mas não sei bem quando. Não havia placas.&lt;br /&gt;Do celular recebi notícia quando já era tarde. Tecnologia alemã não funciona no sertão.&lt;br /&gt;Aparentemente só eu percebia meu cansaço. Quem por pouco me mantinha por lá queria cada réstia de atenção que pudesse ter.&lt;br /&gt;Soube depois que já naquela data a confiança que inspirava era pouca e perdi a minha. A própria e a empenhada.&lt;br /&gt;Nada do que pretendia alcancei.&lt;br /&gt;Nada do que queria pude fazer.&lt;br /&gt;Entre mortos e feridos, nos salvamos todos.&lt;br /&gt;Mas qual o propósito?&lt;br /&gt;Viver, afinal, é um meio para um fim? Ou é um fim em si mesmo?&lt;br /&gt;Se for um meio me falta fim. E vice versa.&lt;br /&gt;Limites existem.&lt;br /&gt;Os conceituais são fáceis de entender.&lt;br /&gt;Para os outros é preciso bem mais que mapas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37809040-116472052669285399?l=leite-de-pato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/feeds/116472052669285399/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37809040&amp;postID=116472052669285399&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/116472052669285399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/116472052669285399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/2006/11/limites.html' title='Limites'/><author><name>E</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37809040.post-116472045295639019</id><published>2006-11-28T11:27:00.001-02:00</published><updated>2006-11-28T11:41:46.110-02:00</updated><title type='text'>De serviços e vaselina</title><content type='html'>Quanto mais rica a sociedade maior é a oferta e a demanda de serviços.&lt;br /&gt;Pois, então, primeiro massificamos a produção. E enriquecemos. Por outro lado, passamos a produzir porcaria. E pra vender porcaria só dando uma vaselinada antes, né?! Daí a necessidade de mais serviços.&lt;br /&gt;No futuro, boa parte dos trabalhadores serão empregados na atividade de passar vaselina.&lt;br /&gt;O problema é que passar vaselina é mais complicado do que trabalhar numa linha de produção. Precisa de talento.&lt;br /&gt;Serviço não dá pra estocar. Nem verificar a qualidade antes de consumir. Ou seja, pra passar veselina com qualidade é preciso passar direito, com um sorriso no rosto. Não tem como errar, apagar tudo e tentar de novo depois.&lt;br /&gt;Outro dia utilizei os serviços de uma cia aérea. Nenhuma dessas de que se fala todo dia. Genérica.&lt;br /&gt;O avião voava direitinho. O destino chegou sem susto. Mas não dá pra dizer que o serviço ajudou...&lt;br /&gt;Não fosse a minha companhia no vôo, a viagem teria sido ruim.&lt;br /&gt;Michellen. Era o nome da aeromoça.&lt;br /&gt;Logo na chegada Michellen deixou claro que não estava muito contente. A mocinha do check-in tinha dito que não havia janela disponível. E quando chegamos no avião, surpresa (!), meu assento era na janela. A má notícia era que ficava na saída de emergência. Mas como adoro voar, fico igual criança quando ando de avião, pra mim tudo bem desde que fosse janela.&lt;br /&gt;Como não consigo me controlar, fiz um comentário besta dando a entender que tinha medo de voar, (logo eu!) e, pior ainda, de operar a saída de emergência.&lt;br /&gt;Foi o que bastou pra Michellen botar as unhas de fora. Só faltou me chamar de bebê chorão. Aliás, acho que ela chamou! E, pelo resto do vôo, Michellen foi sarcástica comigo. Acho que ofereceu babador quando serviu o sanduíche!&lt;br /&gt;Passei a me referir a ela como Michellen, the stewardess from hell!&lt;br /&gt;Comprei um presente pra Michellen. Achava que a encontraria na volta. Mas não. Nunca mais a vi.&lt;br /&gt;Uma pena. Comprei uma garrafinha miniatura de uma cachaça chamada "Na Bunda" pra ela. Pretendia dizer: "E aí, Michellen, vai Na Bunda?"&lt;br /&gt;Pelo jeito Na Bunda pra Michellen nada.&lt;br /&gt;Vai ver que era por isso o mau humor. Faltou Na Bunda!&lt;br /&gt;Vejam só que coisa. Mudei o sentido de determinação usual.&lt;br /&gt;Faltando Na Bunda, passar vaselina fica mais difícil.&lt;br /&gt;E vice-versa!&lt;br /&gt;Naturalmente!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37809040-116472045295639019?l=leite-de-pato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/feeds/116472045295639019/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37809040&amp;postID=116472045295639019&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/116472045295639019'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/116472045295639019'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/2006/11/de-servios-e-vaselina.html' title='De serviços e vaselina'/><author><name>E</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37809040.post-116472048570423185</id><published>2006-11-28T11:27:00.000-02:00</published><updated>2006-11-28T11:28:05.706-02:00</updated><title type='text'>Sonhos</title><content type='html'>O que sonha uma pessoa normal?&lt;br /&gt;Por sonho não me refiro às aspirações nem a julgamentos estéticos e tampouco à guloseima. Quero falar das manifestações psíquicas do sono como é referido pelo pai de todos. O dos burros, não O dos céus nem o das mãos.&lt;br /&gt;Podem perguntar: "e por pessoa normal a que te referes?"&lt;br /&gt;Claro que essa é uma questão polêmica. Não me refiro à normalidade canônica, de manual. Não acho que os normais de manual existam. Sim, também eu já cheguei à modernidade. Só minha cara é de neandertal. Sei que desde o século XIX não se admitem mais normalidades de manual. Família nuclear, patriarcal, essas coisas...&lt;br /&gt;E daí, o que quero dizer com "pessoa normal"? Algo assim: Pessoas que fazem ou fizeram análise (o pretérito perfeito talvez não venha ao caso já que "as altas" do meu conhecimento não depõem em favor dos seus respectivos analistas, mas vá lá que essa impressão possa ser resultado de irremediável inveja), razoavelmente esclarecidas (o que não tem nada a ver com estudo formal. Estudo formal mais prejudica a sanidade do que qualquer outra coisa) e que não vão morrer de doenças degenerativas relacionadas ao stress nem às várias somatizações possíveis e imagináveis.&lt;br /&gt;O tamanho do parágrafo é diretamente proporcional à dificuldade com o conceito e indiretamente proporcional à sua precisão. E, claro, de inteira responsabilidade deste que o comete e que não sabe dividir parágrafos.&lt;br /&gt;Não faz mal. Quer dizer, faz. Torra a paciência de quem lê. Perdoem-me, leitores. Mas minha angústia, nesse caso, é maior que a pudicícia. Ao contrário do que pensam alguns dos meus críticos (críticos no sentido de espectadores das minhas peripécias, não de detratores da minha performance).&lt;br /&gt;Essa última qualidade das pessoas normais é, claro, verificável apenas post mortem. Mas isso não invalida a definição porque meu interesse não é preditivo. E depois de morto os esqueletos do armário aparecem mais fácil o que permite uma avaliação ainda melhor da normalidade do indivíduo. Eu sei que esse é um método questionável mas não acredito em conceitos apriorísticos. Não sou dedutivo. Sou orientado para os meus fins. Teleologia. Esse é o nome do jogo.&lt;br /&gt;Dê ao sujeito hipotético "pessoa normal" as características que melhor lhe aprouver. Todo mundo conhece uma pessoa que julga normal. Ou não? Eu conheço. Pelo menos, acho que é normal, sei lá. Imagino que a pessoa que considero normal seja tomada por louca pela maior parte dos mortais... Mas vá lá que isso é do jogo. Não almejo concordância.&lt;br /&gt;O que será que essa pessoa sonha?&lt;br /&gt;Se os sonhos comunicam conteúdos do nosso subconsciente, o que comunica o subconciente de alguém que não tem nada a esconder de si mesmo? Flores, grama verde, banho de mar e céu azul?&lt;br /&gt;Não faço a menor idéia. Alguém por aí tem alguma sugestão?&lt;br /&gt;E antes que alguma pobre alma reclame da perda definitiva de todas as suas ilusões, nunca falei que eu era normal, muito pelo contrário. E nos meus sonhos flores, grama verde, banho de mar e céu azul são mais raros do que as tais pessoas normais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37809040-116472048570423185?l=leite-de-pato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/feeds/116472048570423185/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37809040&amp;postID=116472048570423185&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/116472048570423185'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/116472048570423185'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/2006/11/sonhos.html' title='Sonhos'/><author><name>E</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37809040.post-116472040811736060</id><published>2006-11-28T11:26:00.000-02:00</published><updated>2006-11-28T11:26:48.120-02:00</updated><title type='text'>Impressões sobre Falcão</title><content type='html'>É de um exagero gritante o choque que o documentário do MV Bill causou na sociedade do asfalto.&lt;br /&gt;Então tá: vamos combinar que tudo aquilo é novidade e que ninguém desconfiava que a miséria e a delinqüência eram assim como acabaram de nos apresentar...&lt;br /&gt;Pô, ninguém lembra do menino do 175? Do que ele disse e do fim daquela história?&lt;br /&gt;Estamos todos chocados. Sociedade do espetáculo é isso aí. Imprensa sensacionalista vende mais jornal. Dá mais lucro. Que cinismo medíocre!&lt;br /&gt;Os comentários mais esclarecidos que tive a oportunidade de ler na repercussão escrota, cínica e puritana que está rolando dão conta de que, pelo menos, dessa vez a história nos é contada pelos seus protagonistas. É o famosos ponto de vista do nativo dos antropólogos. Legal isso. Meritório.&lt;br /&gt;Mas, porra, quem não era capaz de imaginar, de sentir, que as vidas dessas pessoas é o que o documentário registra? Só levando uma vidinha de condomínio na Barra ou vivendo como avestruz se fica alheio ao que é isso. Porra, ninguém anda de ônibus nessa merda? Alguém ainda desconhece uma favela? Ninguém ouviu um funk proibidão? "Tipo, tipo, tipo Colômbia!" Vai dizer que nunca viu um episódio de abuso policial? Caralho, é muito cinismo!&lt;br /&gt;Venho escrevendo e falando disso há tempos: somos todos mercadorias nessa sociedadezinha de merda que construímos. O problema é que no morro todos são artigos de loja de R$1,99. Em que a menina da favela que se prostitui por pó difere da capa da Playboy? Hein? Que aliás também deve cheirar praca!&lt;br /&gt;Em que nos separa o fascínio pelo poder? O poder deles emana do fuzil e o nosso da caneta que assina o cheque. Aduladores, puxa-sacos do mundo, uni-vos porque somos todos iguais na nossa desgraça.&lt;br /&gt;As meninas do morro só querem saber de quem carrega fuzil. E as meninas do asfalto? Quando não sobem o morro correm atrás de quem tem carro, casa, renda fixa, essas coisas...&lt;br /&gt;Tá bom, temos gosto em descobrir o óbvio. Então vá lá:&lt;br /&gt;Eles são iguais a nós! Rigorosamente iguais. Sem tirar nem pôr. Têm traumas. Têm medo. Têm ódio. Ou alguém acha que perder o pai numa operação policial, levar tapa na cara e viver sem qualquer perspectiva exposto a horas e horas de marketing consumista poderia resultar numa produção de santos?&lt;br /&gt;Aliás, alguém acha que estamos produzindo santos aqui no asfalto?&lt;br /&gt;Alguma coisa muito errada está acontecendo. Aqui e lá. As partes da sociedade partida não são tão desiguias assim no que se refere ao desejo de consumo, a mercantilização das relações, a inveja, a luxúria, a avareza. Por tudo que temos, por todos os anos de estudo, por usarmos vários talheres e dominarmos a norma culta da língua, somos ainda piores do que eles. Quantas chances precisamos para nos salvar?&lt;br /&gt;Eles, nos mostra Falcão, não estão salvos. Mas não tiveram qualquer chance. E nós? O que podemos dizer em nossa defesa?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37809040-116472040811736060?l=leite-de-pato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/feeds/116472040811736060/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37809040&amp;postID=116472040811736060&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/116472040811736060'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/116472040811736060'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/2006/11/impresses-sobre-falco.html' title='Impressões sobre Falcão'/><author><name>E</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37809040.post-116472036471660256</id><published>2006-11-28T11:25:00.000-02:00</published><updated>2006-11-28T11:26:04.720-02:00</updated><title type='text'>O mundo em preto e branco</title><content type='html'>Olha que contra-senso: Há dias em que tenho que fazer força para ser o que sou.&lt;br /&gt;Sei que há metros e metros de filosofia sobre ser. Essência e aparência, ser e existir, por aí vai.&lt;br /&gt;Mas se algo ou alguém é na essência alguma coisa essa coisa deveria lhe ocorrer naturalmente, quero dizer sem esforço. Certo?&lt;br /&gt;Errado. Filho de peixe, peixinho é. Não sem sofrimento, poderia-se dizer.&lt;br /&gt;Ocorre que nasci aqui e aqui me criei. Da linha direta de Xangô. Citar Vinicius pode parecer cretinice mas acho que ele sofreu para ser o que era. Daí a pertinência ao tema.&lt;br /&gt;Não estou falando de características obtidas tipo profissão, capacidade física, etc. Tô falando de características d'alma.&lt;br /&gt;E como pode um latino ter dificuldade de lidar com o meio termo, o provisório, o subentendido, o subtexto? E a malemolência, cadê?&lt;br /&gt;Há dias em que vejo o mundo preto e branco. Sem tons de cinza. De onde vem essa herança maldita?&lt;br /&gt;Não me consta que haja anglo-saxões na minha ascendência. Mesmo se houvesse, os miscigenados deveriam herdar a malemolência. Pois não?&lt;br /&gt;Final de verão. Acabamos de vivenciar mais uma alta temporada. Há poucas situações mais patéticas do que as encenadas por turistas nos trópicos. Imagino que a gente andando pelos States ou Europa cometa absurdos tão ou mais ridículos. Mas correr na areia fofa da praia, meio dia, sol de verão, de tênis e meia exibindo o roliço corpinho bronzeado em tons de vermelho vivo não depõe em favor do senso de ridículo do indivíduo...&lt;br /&gt;Vimos muitos desses por aí. O anglo-saxão sofre com a nossa incoerência. Improvisar não é a deles. O jeitinho, então, é quase incompreensível. Um buraco-negro sociológico.&lt;br /&gt;Como fazer quando a gente acorda se sentindo gringo? Como se sentir seguro num dia desses? Você andando na faixa e dando seta e um sujeito corta pela direita e entra na sua frente à esquerda sem seta com o braço indulgente estendido pela janela?&lt;br /&gt;A capoeira ajuda. Mas em dias de gringo é melhor não jogar. Chute na cara dói. É melhor não arriscar.&lt;br /&gt;Samba ajuda. Ouvir. Sambar não é coisa pra se tentar nesses dias. A imagem do gringo na Asa-Branca com as mão nos quadris da mulata é por demais desmoralizante pra correr esse risco.&lt;br /&gt;Melhor ficar em casa. Ver um filme. Hollywood jamais! Não queremos piorar o que já está ruim. Não queremos empunhar a pá. Filme nacional. Cubano. Italiano ou francês, no máximo. Wood Allen é gringo mas pode. É tão neurótico que o preto e o branco perdem a sisudez pelo absurdo.&lt;br /&gt;Dormir. E rezar para acordar pronto para voltar a pintar a aquarela das nossas vidinhas tropicais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37809040-116472036471660256?l=leite-de-pato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/feeds/116472036471660256/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37809040&amp;postID=116472036471660256&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/116472036471660256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/116472036471660256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/2006/11/o-mundo-em-preto-e-branco.html' title='O mundo em preto e branco'/><author><name>E</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37809040.post-116472031577097474</id><published>2006-11-28T11:24:00.001-02:00</published><updated>2006-11-28T11:25:15.773-02:00</updated><title type='text'>O imbecil solícito</title><content type='html'>Todo mundo conhece pelo menos um imbecil. Qualquer sujeito, no mundo inteiro e em qualquer época, terá mais dificuldade em responder de supetão qual a cor do sapato que está usando do que em recitar o nome de um imbecil do seu conhecimento. Salvo, é claro, por constrangimento (há um best seller novo na praça intitulado "Como trabalhar para um idiota" ou algo parecido) ou porque não consegue se decidir, entre os idiotas que conhece, qual é aquele que merece ter seu nome registrado para a posteridade.&lt;br /&gt;          Ouvi uma história, não faço idéia se verídica, que atribui ao Delfim o seguinte raciocínio: Os indivíduos são egoístas. Por isso, quando ouvem ou lêem algo que não entendem atribuem ao autor da mensagem grande inteligência ao invés de admitirem a própria ignorância. A crueldade da lógica seguramente reforça a veracidade da história...&lt;br /&gt;          Vista pelo avesso a historieta acima pode iluminar a onipresença do imbecil. Egoístas, tendemos a enxergar idiotia por todos os lados exceto quando olhamos no espelho. Pode ser. Afinal, o problema são os outros. Mas e se reconhecermos nossa própria idiotia? Pagando regiamente nossos analistas e olhando fixamente para nossos umbigos uma, duas ou até três vezes por semana não poderíamos, enxergando imbecilidade até nos nossos próprios espelhos, ver a verdadeira face dos imbecis?&lt;br /&gt;          É fato: todo mundo já pisou na jaca. Ou seja, somos ou já fomos imbecis aos olhos de alguém. O que permite a qualquer um falar com propriedade dos idiotas que conhece. Suspeito que a fofoca surgiu daí.&lt;br /&gt;         Há imbecis de todos os tipos e para todos os gostos. Há os famosos, os da TV, os da política. Alguns tornam-se lendários como o Conselheiro Acácio. Há autores que têm fixação pelos seus imbecis prediletos. Nelson Rodrigues falava muito sobre um tal Luvizaro. Há também o imbecil anônimo. Aquele do dia a dia. O da trombada na rua, do ônibus errado, da fechada no trânsito. Há mesmo os que viram celebridade instantâneas tipo a baranga que dançou com o Bono, ele próprio um imbecil e tanto. E o marido dela, o corno do ano? Teve a própria imbecilidade exposta e coroada por uma par de chifres no embalo da idiotia da mulher. Esse aí vai pro céu dos cornos...&lt;br /&gt;          Mas não há pior do que o imbecil solícito. Aquele mesmo que a gente só não xinga porque o idiota é bonzinho. Esse tipo de imbecil tem uma certa propensão a descobridor da pólvora. Grande inventor da roda, o imbecil solícito é humilde. Um tímido. Todas as suas idéias brilhantes são apresentadas como sugestões obsequiosas. Aparentemente o imbecil solícito é um animal em extinção. Não que a imbecilidade esteja em baixa. A solicitude é que está démodé. Os que restam continuam a atazanar a nossa vida. Passam por inteligentes. Afinal, a pólvora e a roda não são redescobertas todo dia. E, como o Delfim tem razão, há sempre um séquito de idiotas prontos para admirar as redescobertas do imbecil solícito.&lt;br /&gt;           E o pior é que não podemos fazer nada já que qualquer condenação ou imprecação proferida contra imbecil solícito volta-se imediatamente contra seu autor. Como cuspir pra cima. Um sujeito tão solícito é sempre uma unanimidade. O que fazer? Não nos resta muita esperança. Exceto, talvez, desejar secretamente que a mulher do imbecil solícito vá ao show do U2...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37809040-116472031577097474?l=leite-de-pato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/feeds/116472031577097474/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37809040&amp;postID=116472031577097474&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/116472031577097474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/116472031577097474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/2006/11/o-imbecil-solcito.html' title='O imbecil solícito'/><author><name>E</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37809040.post-116472027561448985</id><published>2006-11-28T11:24:00.000-02:00</published><updated>2006-11-28T11:24:35.616-02:00</updated><title type='text'>Mau Humor</title><content type='html'>O mau humor é uma praga devastadora.&lt;br /&gt;Já disse aqui antes que há mais de nós na nossa percepção do mundo do que estamos dispostos a admitir.&lt;br /&gt;Para mim há períodos em que o mundo alterna tons de cinza. Escuro.&lt;br /&gt;Essa semana, por exemplo, foi Flórida! Choveu o tempo todo. E não teve cheiro de terra molhada que amenizasse a situação...&lt;br /&gt;Em casa, alagamento. No trabalho, terremoto. Esporro de amigos. Sinal vermelho.&lt;br /&gt;Teve até troca de tiro perto do meu trabalho hoje. A nota irônica é que um dos bandidos levou um tiro na bunda!&lt;br /&gt;Muitos desejos. Parcos são os meios de realizá-los.&lt;br /&gt;Espero que meu humor melhore no fim-de-semana.&lt;br /&gt;E, São Pedro, desliga a torneira aí, pô! É verão. Janeiro. Uma semana de chuva em Janeiro é sacanagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37809040-116472027561448985?l=leite-de-pato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/feeds/116472027561448985/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37809040&amp;postID=116472027561448985&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/116472027561448985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/116472027561448985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/2006/11/mau-humor.html' title='Mau Humor'/><author><name>E</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37809040.post-116472022063178509</id><published>2006-11-28T11:23:00.000-02:00</published><updated>2006-11-28T11:23:40.633-02:00</updated><title type='text'>Natureza, cultura e bronzeamento artificial</title><content type='html'>Não há mesmo muito de natural na humanidade. Tudo é cultura. Não é que nosso corpo e suas funções vitais sejam culturais. Todo mundo faz côco. Mas desde que damos nomes às coisas elas se tornaram linguagem e, portanto, podem tomar significados e interpretações independentes delas mesmas. Ou seja, o problema não é cagar. O problema começa quando começamos a falar disso. Como estou fazendo aqui. Eu tenho gosto em me meter em encrenca.&lt;br /&gt;Tem gente que acha que o corpo é feio. Já disse antes que a civilização começa quando macaquinhos pudicos começam a se afastar dos outros para fazerem suas necessidades sozinhos e sossegados. E achando tudo feio criaram a moral e os bons costumes.&lt;br /&gt;Você, pobre leitor, convive com esses macaquinhos. E, por isso, pode e vai ser constrangido através de toda sorte de instrumentos coercitivos a comportar-se como eles querem. Atenção, com o grifo. Não disse somente "comportar-se como eles" porque é bem sabido que os macaquinhos, em sua imensa maioria, são adeptos ferrenhos do "façam o que eu digo não o que eu faço".&lt;br /&gt;É isso aí, pessoal! Somos constrangidos a nos enquadrar num código de conduta culturalmente dado que foi elaborado para negar aspectos variados da nossa humanidade, dos nossos desejos e necessidades. Queiram ou não queiram.&lt;br /&gt;Esses códigos, dados seus diferentes graus de anti-naturalidade, podem mesmo nos levar à loucura. Há muito macaquinho doido por aí! Desconfio que o próprio conceito de loucura, que nomeia algo abstrato e portanto só pode criado e compreendido através da linguagem, tenha relação com uma tentativa dos macaquinhos de excluir, às vezes pela eliminação física, tipo "fogueira neles!", alguns dos seus confrades e compatriotas.&lt;br /&gt;Negação e loucura ou fogueira. Essa é a escolha. Façam as suas. Eu fiz a minha e tô indo comprar bronzeador.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37809040-116472022063178509?l=leite-de-pato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/feeds/116472022063178509/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37809040&amp;postID=116472022063178509&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/116472022063178509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/116472022063178509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/2006/11/natureza-cultura-e-bronzeamento.html' title='Natureza, cultura e bronzeamento artificial'/><author><name>E</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37809040.post-116472017542985886</id><published>2006-11-28T11:22:00.000-02:00</published><updated>2006-11-28T11:22:55.433-02:00</updated><title type='text'>Os impossíveis</title><content type='html'>Obra de ficção. Qualquer semelhança com pessoas ou situações reais é mera coincidência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei errado hoje. Fui dormir brigado com o despertador. Resultado: de manhã ele não me chamou.&lt;br /&gt;Lições da vida de solteiro nº 152: objetos inanimados são chamados assim porque não se mexem sozinhos.&lt;br /&gt;Corolário nº1: despertadores não tocam se não forem ligados previamente.&lt;br /&gt;Corolário nº2: temos sempre que saber, de noite, a que horas vamos ter que acordar na manhã seguinte.&lt;br /&gt;Que merda...&lt;br /&gt;Acordei tarde e do lado errado da cama. O lado mais longe do banheiro e do chinelo.&lt;br /&gt;Esquentou de novo. Mas a gripe ainda não passou... E domingo, segundo a previsão, vai chover.&lt;br /&gt;O fundo do poço não é o limite.&lt;br /&gt;Meu espelho também acordou errado. Ele está cubista hoje. Tá de sacanagem comigo, o filho da puta. Bom, ou bem ele está cubista ou eu tô mesmo péssimo...&lt;br /&gt;Foi o dendê. Pronto! Meu dia já começou a melhorar. Descobri um culpado!&lt;br /&gt;Dor de barriga. Foi o dendê. Definitivamente. Ai...&lt;br /&gt;Banho quente. Bem quente. Vou afogar o puto do espelho em vapor...&lt;br /&gt;Os ingleses escolheram bem onde iam morar. Imagina as inglesas vistas sob a luz do mediterrâneo. Melhor mesmo olhar pra elas no fog londrino. Pode até ser que tenha havido uma colônia saxônica no sul da França. Só que não vingou... Darwin aplicado.&lt;br /&gt;Muita roupa pra lavar. Pouca roupa pra vestir. Belo lema. Como será que se escreve isso em latim?&lt;br /&gt;Logo cedo sou questionado sobre as possibilidades. Será que é possível? É possível isso?&lt;br /&gt;Hoje digo logo: Não é possível. O que eu não sei... Mas hoje não é possível. Foi o dendê. Tudo culpa dele.&lt;br /&gt;O mundo vai acabar. A humanidade não está com nada. Somos todos inúteis. O Congresso tá podre. O governo acabou. E digo mais, tudo foi culpa do dendê.&lt;br /&gt;O dendê é a última fronteira da incivilidade. A sociedade deve ter começado quando um grupo de macaquinhos pudicos aprenderam a fazer suas necessidades longe uns dos outros. Essa é a mais remota linhagem das senhoras da sociedade.&lt;br /&gt;A igreja surgiu quando escreveu em pedras essa grande verdade: Não verás as vergonhas dos seus semelhantes.&lt;br /&gt;O povo, que como sabemos descende de uma outra linhagem de macacos, uito menos pudicos, insiste em viver entre os demais. E não escondem suas vergonhas. Nem com a ameaça de fogueira. E, pior, inventaram de comer dendê. A partir daí, descemos a ladeira.&lt;br /&gt;Mas nos vales do mundo, por incrível que pareça, o dendê tem seus préstimos. Por exemplo, o dendê deve estar metido na origem do carnaval. De algum jeito, quando tudo dá errado, o dendê tem culpa, certo? O carnaval como todo mundo sabe é uma espécie de festa do contrário. Fica tudo de ponta cabeça. O Rei Momo é um representante da plebe. Aquela gente feia e gorda...&lt;br /&gt;Se assim é, o dendê deve ter algo a ver com isso. Não me perguntem como, nem se é possível. Tudo que sei é que o dendê é culpado. Senão pelos descaminhos da humanidade, pelo menos pela minha dor de barriga! E isso me basta. Eu sou um homem em busca de verdades simples...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37809040-116472017542985886?l=leite-de-pato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/feeds/116472017542985886/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37809040&amp;postID=116472017542985886&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/116472017542985886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/116472017542985886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/2006/11/os-impossveis.html' title='Os impossíveis'/><author><name>E</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37809040.post-116472013198022086</id><published>2006-11-28T11:21:00.001-02:00</published><updated>2006-11-28T11:22:11.983-02:00</updated><title type='text'>Das coisas e de nós</title><content type='html'>Escrevi outro dia sobre as coisas. Hoje quero falar de gente. Mas sei que vou acabar falando de coisas de novo. Uma pena.&lt;br /&gt;Cada dia mais me convenço que o mundo lá fora, que vemos e sentimos todo dia, tem mais relação com o que vai dentro de nós do que estamos dispostos a admitir.&lt;br /&gt;Por exemplo, um dia de chuva, como hoje, pode ser péssimo porque o trânsito engarrafa, fica tudo molhado, enlameado, sujo. As pessoas se amontoam suando sob as marquises. Se acotovelam andando apressadas para não se molhar. Guarda-chuvas são brandidos por todos os lados. Cabeças desatentas são seus alvos principais.&lt;br /&gt;Por outro lado, se estivermos dispostos, podemos ver a poesia de um dia de chuva. O cheiro de terra molhada, a sensação de frescor de uma caminhada descompromissada debaixo da chuva. Passar correndo embaixo de uma árvore, sacudir os galhos e molhar todo mundo. Andar de bicicleta ou de jipe numa estrada enlameada. Ou simplesmente a sensação de acolhimento de estar seco e quentinho em casa ou mesmo no trabalho vendo pela janela a chuva caindo lá fora.&lt;br /&gt;A chuva, como o mundo, pode ser o que quisermos que seja, desde um transtorno até uma diversão. Depende de como a encaramos. O mundo que vemos depende mais dos nossos olhos do que qualquer outro aspecto.&lt;br /&gt;E aí estão as origens de vários dos nossos problemas assim como suas soluções.&lt;br /&gt;Estamos tão acostumados com a ética mercantil, que passamos a encarar tudo no mundo como uma relação de troca mercantil. Compramos e vendemos de tudo. Coisas e gente! Embora comprar e vender gente seja fenômeno comum e recorrente na história da humanidade, vivemos hoje uma situação extrema. No passado gente comprada e vendida era diferente. Por qualquer motivo não eram tratados como iguais, eram negros, escravos de guerra, enfim, eram diferentes. Por isso eram tratados como coisas.&lt;br /&gt;Hoje, ao menos formalmente, reconhecemos que todos os homens são iguais. E, ainda sim, tratamos gente como mercadoria. Consumimos gente. E somos consumidos.&lt;br /&gt;A modernidade trouxe o reconhecimento que somos mercadorias! Antes, mercadorias eram os outros. Hoje nós também somos!&lt;br /&gt;E como mercadorias somos todos livres. Somos livres para tratarmos e sermos tratados como objetos.&lt;br /&gt;Um probleminha só: liberdade é um conceito aplicado a seres dotados de vontade e julgamento. Objetos não têm autorização para terem vontade nem arbítrio. Não somos e nunca seremos livres enquanto formos objetos uns dos outros.&lt;br /&gt;Toda a liberdade que temos hoje é a liberdade da adoração, do fetiche, deste verdadeiro culto moderno às mercadorias. Somos prostitutos. Todos. Brindemos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37809040-116472013198022086?l=leite-de-pato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/feeds/116472013198022086/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37809040&amp;postID=116472013198022086&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/116472013198022086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/116472013198022086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/2006/11/das-coisas-e-de-ns.html' title='Das coisas e de nós'/><author><name>E</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37809040.post-116472008296649065</id><published>2006-11-28T11:21:00.000-02:00</published><updated>2006-11-28T11:21:22.966-02:00</updated><title type='text'>Das paradas e das coisas</title><content type='html'>Ouvi uma vez um comentário sobre o vocabulário limitado dos jovens. Afora o preconceito evidente de qualquer comentário que segmenta um grupo e torna exótico seu comportamento e o fato de eu me incluir no segmento, pelo menos da perspectiva do meu interlocutor, pareceu-me essencialmente correta a afirmação, ainda que discorde das conseqüências mais apocalípticas previstas por ele.&lt;br /&gt;Temos que confessar que substantivos como "coisa", "parada" e "treco", além dos seus diminutivos, denominam, para a nossa geração, uma imensa gama de objetos, materiais e imateriais. E adjetivos como "maneiro" e "sinistro", entre outros, servem, às vezes ao mesmo tempo, como elogio, crítica e/ou apenas como interjeição. Sinistro!&lt;br /&gt;Na versão apocalíptica do meu interlocutor, a humanidade estaria regredindo e eventualmente perderia a capacidade de se comunicar. E, como o pensamento depende da linguagem, perderíamos, no limite, a capacidade de pensar. Caraca!&lt;br /&gt;É evidente que discordo dessas conclusões. A linguagem, assim como os demais aspectos da cultura, são vivos. Mudam diante da necessidade. Palavras e significados novos são construídos pelo uso. Enquanto nos relacionarmos uns com os outros, mesmo que com intermediação eletrônica, vamos usar e abusar da linguagem em função de comunicarmos nossas idéias, anseios, angústias, desejos, humores e demais sentimentos e informações que compartilhamos. Para tudo isso e para nos identificarmos como grupo, mudamos a linguagem tanto quanto necessário. Se significados e palavras caem em desuso, outros tantos passam a ser usados no seu lugar. Aê!&lt;br /&gt;Ou seja, enquanto houver tetéias, gatinhas, potrancas ou cachorras passeando por aí haveremos de encontrar um jeito de comunicar-lhes nosso galanteio, cantada ou chaveco. Maneiro!&lt;br /&gt;O perigo está na mudança do padrão das relações que estabelecemos entre nós. Esse sim está mudando para pior. E linguagem e demais aspectos da cultura não têm nada a ver com isso. Mas sobre isso escrevo outro dia porque o tema é brabo. Putz!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37809040-116472008296649065?l=leite-de-pato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/feeds/116472008296649065/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37809040&amp;postID=116472008296649065&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/116472008296649065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/116472008296649065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/2006/11/das-paradas-e-das-coisas.html' title='Das paradas e das coisas'/><author><name>E</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37809040.post-116472000059489725</id><published>2006-11-28T11:19:00.000-02:00</published><updated>2006-11-28T11:20:00.596-02:00</updated><title type='text'>Almoço com amigos no mundo bizarro</title><content type='html'>Ficção. Qualquer semelhança com situações reais é mera coincidência.&lt;br /&gt;Personagens:&lt;br /&gt;Vel: Baixinha e redonda. Meio atrapalhada. Vive derrubando coisas. Tímida e insensível. Sente-se perdida nesse mundo de homens.&lt;br /&gt;Dadinha: Desbocada e insolente. Faz o tipo "gentileza é o caralho". É a mais velha do grupo mas faz questão de parecer mais nova.&lt;br /&gt;Paulista: Executivo de finanças. Frustrado. Nunca acertou a jogada para ficar milionário. Extremamente organizado. Usa gel no cabelo.&lt;br /&gt;Uê: Um gentleman. Mesquinho. Dono de mentalidade pequeno burguesa e de um fusca azul bebê que ele chama de "Possante".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cena 1 - Restaurante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vel: - Putz. Tá cheio, né?!&lt;br /&gt;Recepcionista: - Vcs querem bolinho de bacalhau enquanto esperam?&lt;br /&gt;Paulista: - É de grátis?&lt;br /&gt;Uê: - De graça ela não te dá nem sorriso!&lt;br /&gt;Dadinha: - Ô gentileza!&lt;br /&gt;Paulista: É de grátis, meu! Tá incluído no bufê.&lt;br /&gt;Todos: - Ah, é!&lt;br /&gt;Recepcionista (pensando): Por que esse engomadinho não tira o olho do meu decote?"&lt;br /&gt;Vel: - Paulista, como era mesmo aquela história do veneno do sapo?&lt;br /&gt;Paulista: - O meu amigo falô que tomou o negócio duas vezes. Na primeira ele mudou de emprego. Na segunda ele pegou uma mulerão que só vendo.&lt;br /&gt;Vel: - Ah, eu vou experimentar esse negócio. Tô precisando...&lt;br /&gt;Uê: - Como assim "precisando"? Não acredito!&lt;br /&gt;Vel: - Ué, tô precisando! Todo mundo tá precisando. Já até perguntei pro meu terapeuta...&lt;br /&gt;Dadinha: - Qual deles? O da psicanálise ou o do templo?&lt;br /&gt;Vel:  - Do templo, claro.&lt;br /&gt;Uê: - Terapeuta do templo?&lt;br /&gt;Vel: - É um Shaman siberiano que eu conheço. Conheci através da Rebu.&lt;br /&gt;Uê: - Sei... Aquele da história do tambor...&lt;br /&gt;Dadinha: - Vambora, todo mundo. Tá todo mundo meio deprimido mesmo.&lt;br /&gt;Uê: - Lá vem vcs com esses papos cabeça!&lt;br /&gt;Dadinha (segurando o riso): - Cabeça? Qual delas?&lt;br /&gt;Uê: - Bina!&lt;br /&gt;Vel: - Vcs agora tão falando em código?!&lt;br /&gt;Dadinha: - Esse doido agora deu p me chamar de caminhoneira. Imagina: Sula Miranda! Mas o maior caminhoneiro aqui é ele mesmo! Bino!&lt;br /&gt;Uê: - Certo. E todos são testemunhas que eu é que inverti as cabeças...&lt;br /&gt;Recepcionista (solícita): - Desculpem a demora. Acabou de vagar uma mesa, vamos entrar?&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mesa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Garçom: - Bebidas senhores?&lt;br /&gt;Paulista: - Ocê tem suco de que?&lt;br /&gt;Enquanto o garçom desfia uma lista interminável de opções é interrompido por Dadinha:&lt;br /&gt; - Eu quero um de hortelã com abacaxi.&lt;br /&gt;Paulista: - Eu também.&lt;br /&gt;Dadinha: - Ai, eu peguei a mania dele. Hortelã com abacaxi!&lt;br /&gt;Garçom: - E a Srta?&lt;br /&gt;Vel: - ...&lt;br /&gt;Dadinha: - Uê, você tá paquerando a Vel?&lt;br /&gt;Uê (envergonhado): - Tô esperando a Vel me liberar a consciência para pedir um chope!&lt;br /&gt;Dadinha (jocosa): - Seja homem!&lt;br /&gt;Vel: - Vai me dá um chope...&lt;br /&gt;Uê: - Dois!&lt;br /&gt;Paulista e Dadinha levantam-se para se servirem.&lt;br /&gt;Uê: - Olha que bonitinho. Dois "hortelãs com abacaxi". E agora se servindo juntos...&lt;br /&gt;Vel: - Imagina só!&lt;br /&gt;Uê: - Eles bem que combinam...&lt;br /&gt;Vel: - É. A Dadinha é uma figura.&lt;br /&gt;Uê: - E o Paulista, nem precisa de apresentações. Figura carimbada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sobremesa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uê: Paulista, conta aí a história da massagem.&lt;br /&gt;Paulista: - Cês não sabem! Aconteceu de novo!&lt;br /&gt;Dadinha: - O que?&lt;br /&gt;Paulista: - Fui na massagista e ela começou a arrotar enquanto me fazia massagem!&lt;br /&gt;Uê: - Ah não! De novo? Era a mesma?&lt;br /&gt;Paulista (inconformado): - Não. Era outra.&lt;br /&gt;Dadinha: - Como assim, de novo?&lt;br /&gt;Paulista (vermelho de vergonha): - Tinha uma outra mulé que arrotava porque não digeriameus conceitos. Agora essa outra fez igual. E disse que podia ser pior.&lt;br /&gt;Vel (mal segurando o riso): - Pior?&lt;br /&gt;Paulista: - É porque se não arrotasse podia ter saído por baixo. Ou então ela ia inchar!&lt;br /&gt;Uê (em meio a gragalhadas): - Imagina a cena: a massagista, de repente, começa a subir feito um balão!&lt;br /&gt;Paulista: - É por isso que eu vou no sapo!&lt;br /&gt;Dadinha: - Para curar flatulência?!?&lt;br /&gt;Uê: - Sula!&lt;br /&gt;Dadinha: - Ah, não! Quem falou de gases foi o Paulista! Me poupem!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37809040-116472000059489725?l=leite-de-pato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/feeds/116472000059489725/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37809040&amp;postID=116472000059489725&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/116472000059489725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/116472000059489725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/2006/11/almoo-com-amigos-no-mundo-bizarro.html' title='Almoço com amigos no mundo bizarro'/><author><name>E</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37809040.post-116471994946880308</id><published>2006-11-28T11:18:00.000-02:00</published><updated>2006-11-28T11:19:09.470-02:00</updated><title type='text'>A medida de todas as coisas</title><content type='html'>Caraca! Quem quer que tenha sido o inventor do individualismo jamais poderia ter imaginado onde sua brilhante idéia nos levaria. Se imaginou era um tremendo filho da puta!&lt;br /&gt;Evidentemente, não faço aqui, nem em lugar algum, apologia do teocentrismo ou qualquer outra forma de negação da liberdade individual. Mas que a liberdade individual já foi longe demais, isso é fato!&lt;br /&gt;Tem de haver algum realismo. Não dá para esperar que a ordem perfeita da humanidade advenha da escolha individual das pessoas sobre todas as coisas. Há muito o que escolher, cara! E agente não consegue escolher eficientemente nem a meia que combina com nossa camisa! Sem falar das gravatas que complicam sobremaneira o assunto!&lt;br /&gt;E mais, se somos a medida de todas as coisas, jamais saberemos se fizemos as escolhas certas. Ou você nunca mudou de idéia?&lt;br /&gt;Um exemplo: Tentei comprar calças ontem. Não me decidi sobre a cor, estilo nem ao menos sobre o tamanho correto. Uma me parecia muito apertada e a numeração imediatamente superior ficou grande pra caralho! Desisti. Se sou a medida de todas as coisas como é que não há uma porra de calça na loja que me sirva?&lt;br /&gt;Acho que o que eu tô querendo por esses dias é uma volta ao útero... Um lugar confortável, quentinho, sem aporrinhação, sem ter que escolher roupa, comida, sabonete, pasta de dente...&lt;br /&gt;É... Tô carente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37809040-116471994946880308?l=leite-de-pato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/feeds/116471994946880308/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37809040&amp;postID=116471994946880308&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/116471994946880308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/116471994946880308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/2006/11/medida-de-todas-as-coisas.html' title='A medida de todas as coisas'/><author><name>E</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37809040.post-116471991400949937</id><published>2006-11-28T11:02:00.000-02:00</published><updated>2006-11-28T11:18:34.073-02:00</updated><title type='text'>Saudações</title><content type='html'>Salve!&lt;br /&gt;É isso aí, amiguinhos e amiguinhas. Criei um blog.&lt;br /&gt;Acertam aqueles que acham que essa atitude é fruto de uma mente desocupada que passa várias horas do dia em frente ao computador.&lt;br /&gt;Acertou novamente quem aposta que essa joça não vai ser lida por ninguém.&lt;br /&gt;E se você, querido leitor, acertou todas acima, deixe uma dica aí na seção "comentários" sobre a loteria. Ajudaria muito. Agradeço desde já.&lt;br /&gt;Sejam bem-vindos ao meu blog. Comentários, sugestões, anedotas, receitas de bolo são todos bem-vindos.&lt;br /&gt;Beijo para que é de beijo e abraço para os demais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37809040-116471991400949937?l=leite-de-pato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/feeds/116471991400949937/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37809040&amp;postID=116471991400949937&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/116471991400949937'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37809040/posts/default/116471991400949937'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leite-de-pato.blogspot.com/2006/11/saudaes.html' title='Saudações'/><author><name>E</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
